13/12/2007 Saem os indicados ao Golden Globe... mas haverá prêmio?<br/>
Foram anunciados hoje os indicados ao Golden Globe (Globo de Ouro), prêmio concedido pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood e espécie de termômetro do Oscar. Além do habitual buxixo sobre quem foi indicado e quem ficou de fora, o anúncio trouxe à tona uma dúvida: qual será o destino da cerimônia do Golden Globe, marcada para dia 13 de janeiro, se a paralisação dos roteiristas seguir em frente? Há rumores de que a premiação pode ser cancelada, adiada ou mantida – neste caso, mesmo sem a presença de astros e estrelas, solidários aos grevistas (aliás, qual celebridade se arriscaria a furar um piquete e detonar sua imagem?). De qualquer maneira, a Associação surpreendeu a todos ao indicar sete produções ao prêmio de melhor filme de drama, em vez dos habituais cinco. E o que dizer da inclusão do drama político Jogos do Poder entre os candidatos a melhor comédia ou musical? Enfim, a produção com mais indicações foi Desejo e Reparação, forte drama de guerra, baseado em livro do inglês Ian McEwan, com sete chances de abocanhar o troféu. A competição mais acirrada parece vir da categoria de animação: o saboroso Ratatouille corre, cabeça com cabeça, com o divertido Bee Movie – A História de uma Abelha e com o arrasa-quarteirão Os Simpsons. Já nas categorias de televisão, os jornalistas estrangeiros fora mais previsíveis. O maior espanto foi a ausência da última temporada de Família Soprano entre as melhores séries dramáticas – o seriado apenas emplacou uma indicação, a de melhor atriz para Edie Falco, como sempre. Entre as comédias, as indicações se pulverizaram, destacando 30 Rock, Pushing Daisies e Entourage. Confira abaixo a lista com as principais categorias do cinema e torça por seus favoritos. (Denerval Ferraro Jr.)
Melhor filme (drama) Conduta de Risco, Senhores do Crime, Onde os Fracos Não Têm Vez, Desejo e Reparação, O Gângster, There Will Be Blood e The Great Debaters Melhor filme (comédia ou musical) Across the Universe, Jogos do Poder, Hairspray, Juno e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet Melhor ator (drama) George Clooney (Conduta de Risco), Daniel Day-Lewis (There Will Be Blood), James McAvoy (Desejo e Reparação), Viggo Mortensen (Senhores do Crime) e Denzel Washington (O Gângster) Melhor atriz (drama) Cate Blanchett (Elizabeth: A Era de Ouro), Julie Christie (Longe Dela), Jodie Foster (Valente), Angelina Jolie (O Preço de uma Coragem) e Keira Knightley (Desejo e Reparação) Melhor ator (comédia ou musical) Tom Hanks (Jogos do Poder), Philip Seymour Hoffman (The Savages ), Johnny Depp (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet), Ryan Gosling (Lars and the Real Girl) e John C. Reilly (Walk Hard: The Dewey Cox Story) Melhor atriz (comédia ou musical) Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor), Amy Adams (Encantada), Nikki Blonsky (Hairspray), Helena Bonham Carter (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet) e Ellen Page (Juno) Melhor diretor Ethan e Joel Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez), Ridley Scott (O Gângster), Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta), Joe Wright (Desejo e Reparação) e Tim Burton (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet) Melhor ator coadjuvante Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford), Philip Seymour Hoffman (Jogos do Poder), Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez), Tom Wilkinson (Conduta de Risco) e John Travolta (Hairspray) Melhor atriz coadjuvante Tilda Swinton (Conduta de Risco), Saoirse Ronan (Desejo e Reparação), Cate Blanchett (I’m Not There), Julia Roberts (Jogos do Poder), Amy Ryan (Medo da Verdade) Melhor animação Ratatouille, Bee Movie – A História de uma Abelha e Os Simpsons
11/12/2007 O glorioso retorno de um mito Não é apenas a cabeleira prateada de Jimmy Page que inspira respeito. (O visual impressionou que andava sem vê-lo). Jimmy Page faz parte da história da música. Guitarrista e produtor, ele descobriu, ao lado de seus colegas de Led Zeppelin, a fórmula para fazer rock de macho sem abrir mão da inventividade. Ao lado de John Paul Jones, Robert Plant e John Bonhan, a banda Led Zeppelin criou sons básicos em sua mensagem, mas exuberantes na forma.
Pois ontem, em Londres, num lugar chamado Arena O2, o Led Zeppelin retornou à formação original, 27 anos depois do fim. Formação original, sim, pelo menos no que se refere à perspectiva genética. No lugar do falecido baterista John Bonhan, sentou-se seu filho Jason, um cavalão com o mesmo gosto por pancadas no bumbo.
Como eles conseguiram - ninguém sabe. A voz de Robert Plant, o urro que tão bem representa a sonoridade da década de 1970, permanece no mesmo lugar. Um milagre. São as mesmas notas, as mesmas pausas. Sobre Page, nem é preciso falar muito. Se uma comparação se faz necessária, cabe dizer que seu estilo parece menos preocupado com a sonoridade do instrumento, e mais em preencher as canções com notas verdadeiramente geniais. Economia estética, profusão de conteúdo.
Abaixo, o vídeo de "Kashmir", do LP Physical Graffiti, de 1975. O YouTube já está cheio de vídeos amadores feitos por alguns dos 20 mil sortudos que estiveram no show ontem. Eles foram sorteados para poder comprar estes ingressos através de uma loteria. Há rumores de uma turnê mundial. Torçamos para que seja verdade.
Editor de Cultura da Época. Jornalista, escritor e crítico. Doutor em Artes Cênicas pela USP, Mestre em Musicologia pela USP. Doutor e Mestre pela USP. Autor dos seguintes livros: Ensaio de Ponto (romance, 34, 1998), Mario Reis, o Fino do Samba (biografia, 34, 2001), Minoridade Crítica (ensaio de história cultural, Ediouro/Edusp, 2004), Até Nunca Mais POr Enquanto (contos, Record, 2004), Teatro Completo de Gonçalves Dias (edição, organização, estabelecimento de texto, ensaio introdutório), A Bacanal do Espírito: Gonçalves Dias Folhetinista (a sair pela Record), Crônicas reunidas de Gonçalves Dias (organização, ensaio introdutório, estabelecimento de texto, a sair pela Record).
Martha Mendonça
é jornalista e escritora do Rio de Janeiro.
Nelito Fernandes é jornalista, tem a mente aberta mas é heterossexual.
Gisela Anauate é repórter de Mente Aberta, autora do livro Dissonantes (sem editora, se alguém quiser, por favor, contate), sobre cinco músicos nada convencionais.