20/11/2007
Queen inesquecível



Era 1981. O Queen vivia seu auge. Nos últimos meses estava nas paradas de sucesso do mundo inteiro, com o álbum The Game. Depois de mais de quarenta concertos com ingressos esgotados na Europa, Estados Unidos e América Latina, a banda, com o incomparável Freddie Mercury à frente, fez dois pequenos grandes shows no Forum de Montreal, no Canadá. "Olá, Montreal, há quanto tempo? Vocês querem enlouquecer", convidou Freddie antes da noite começar com We Will Rock You, Play the Game, Somebody to Love, Crazy Little Thing Called Love e outras canções que se tornaram clássicos do rock. Quem já esteve numa platéia do Queen sabe como eles incendiavam o público, com a performance teatral de seu líder e um rock visceral. Em Montreal, tocaram pesado, com intervalo para retomar o fôlego com Love of My Life. O registro em CD está sendo lançado pela EMI, com som remixado e remasterizado. Queen Rock Montreal tem dois discos - e um DVD que ainda não chegou por aqui . Enquanto ele não vem (se é que virá), os fãs podem fechar os olhos e elouquecer com uma das maiores bandas de todos os tempos.

Repertório completo e mais informações em www.queenrockmontreal.com

(Martha Mendonça)

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22/11/2007
Hoje é dia de teatro 2



Outra ótima opção teatral também nos palcos paulistanos é A Pedra do Reino, espetáculo do Grupo Macunaíma/Centro de Pesquisa Teatral (CPT) - um dos mais importantes centros de produção de teatro da atualidade, sediado no SESC Consolação. Dirigida por Antunes Filho, a peça é a teatralização de dois livros de Ariano Suassuna, “Romance D’a Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-E-Volta” e “História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão/ Ao Sol da Onça Caetana” que, juntos, somam mais de mil páginas. “A Pedra do Reino” voltou aos palcos paulistanos, depois da longa temporada de 2006, em 9 de novembro.

Na uma hora e meia de espetáculo, Quaderna é acusado de subversão pelo Estado Novo e decide escrever um memorial contando suas peripécias até a captura, o julgamento e a detenção. Preste atenção nas referências à cultura popular nordestina apresentadas em músicas tocadas e cantadas pelos atores em cena, nos belos e bem bolados figurinos de Juliana Fernandes além de claro, no texto de Suassuna. Que, no melhor exemplo do que aconselhava o escritor russo Tolstói, fala de sua aldeia para falar de questões universais.

Delicie-se com a ótima interpretação do goiano Lee Thalor como o megalomaníaco e divertido Quaderna, que conquista o público num misto de palhaço e majestade. Em uma hora e meia de peça, Thalor sua o figurino no esforço (bem-sucedido) de capturar a atenção do público e realizar as peripécias de Quaderna para superar, com humor e esperteza, os obstáculos impostos.

A peça está em cartaz, depois de temporada no Rio de Janeiro e excursão por cidades do Nordeste, até 3 de fevereiro de 2008. Vá sem medo de errar e prestigie o teatro nacional, o diretor Antunes Filho, o grandioso trabalho dos atores do Grupo Macunaíma/CPT, os 80 anos completados esse ano pelo imortal Ariano Suassuna, o povo brasileiro.

Serviço:
A PEDRA DO REINO
De Ariano Suassuna
Baseado em "Romance D'a Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai - E - Volta" e História d`O rei degolado nas caatingas do sertão / Ao sol da Onça Caetana"
TEATRALIZAÇÃO: Antunes Filho
Até 3 de fevereiro de 2008.
Horário: Sextas e Sábados, 21h/Domingos, 19h
Duração: 90 minutos
Recomendável para maiores de 14 anos
Lotação: 320 Lugares
Preços: R$ 20,00; R$ 10,00 (usuário matriculado, a partir de 60 anos e estudantes); R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes)
Ingressos à venda no CineSESC e demais unidades da capital.
Teatro SESC Anchieta/SESC Consolação
Rua Dr. Vila Nova, 245
Tel: 3234-3000

(Laila Abou Mahmoud)

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22/11/2007
Hoje é dia de teatro - corra enquanto é tempo



O ano está chegando ao fim e, geralmente nessa época, algumas peças interrompem - por um tempo ou definitivamente - suas temporadas. Uma que se encerra no próximo final de semana é Aldeotas, em cartaz no Tucarena, em São Paulo.

Quem ainda não foi assistir, não pode perder a oportunidade. Escrita por Gero Camilo, a peça é um turbilhão de memórias cheio de poesia tanto no texto quanto no trabalho corporal dos atores. Que dão um show de interpretação na arena sem cenário. Nela, a iluminação e a construção do texto é que estruturam as narrativas que se entrecruzam nos relatos da peça.

A história que desencadeia as lembranças é a de Levi. Já crescido, ele retorna à pequena Coti das Fuças, cenário de sua infância, para entregar a peça de teatro que escreveu ao amigo Elias, companheiro de aventuras quando menino e adolescente. Nela, rememora episódios como a primeira vez que empinou pipa com o pai, o primeiro beijo, a primeira rebeldia, a amizade e a incerteza sobre seu futuro.

Achou genérico? Pois o trunfo de Aldeotas está aí. A peça conquista justamente por não dar características e formas realistas ou detalhistas aos eventos. Promove, assim, uma viagem ao centro de cada um dos espectadores, remexendo com delicadeza e intensidade nas recordações de tudo que todos nós fomos ou mesmo poderíamos ter sido.



O texto da peça nasceu de um conto do livro A Macaúba Terra de Gero Camilo (2003, esgotado), e foi encenada pela primeira vez em 2004. Levou o prêmio Shell de melhor direção do mesmo ano, além das indicações para melhor ator (Gero Camilo), direção (Cristiane Paoli-Quito) e iluminação (Marisa Bentivegna).

Aldeotas percorreu em seus 4 anos cidades como Recife (PE), Crato (CE), Juazeiro (CE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro e São José do Rio Preto (SP).

Esse ano, a substituição de Marat Descartes por Caco Ciocler já aconteceu em três diferentes temporadas em São Paulo. A atual vai até 25 de novembro. Caco também está na direção da peça Frida, em cartaz no Teatro Vila-Lobos, no Rio de Janeiro.

Para quem ainda não viu a peça, a oportunidade é imperdível, pois ainda não estão definidas as temporadas para o ano que vem.
Caco Ciocler e Gero Camilo conversaram com ÉPOCA ONLINE e falaram sobre arte, teatro, novela, poesia, Aldeotas e projetos. Leia as entrevistas dos atores clicando sobre os nomes deles nesse parágrafo.

A peça vai até o dia 25 e não tem previsão de temporada para o ano que vem. Vá. De peito aberto e pronto para se emocionar.

Aldeotas
Autor: Gero Camilo
Direção: Cristiane Paoli-Quito
Elenco: Gero Camilo e Marat Descartes
Quando: 14/9 a 25/11 (sextas e sábados às 21h e domingos às 19h)
Onde: Tucarena (rua Monte Alegre, 1.024 - Perdizes)
Ingresso: R$ 50,00 (aos sábados) e R$ 40 (aos domingos)
Censura: 12 anos
Informações: (11) 3670-8460
Bilheteria: (11) 3670-8455
Televendas: (11) 3188-4156

(Laila Abou Mahmoud)

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23/11/2007
O angustiante futuro do livro



Esta semana, a livraria eletrônica Amazon anunciou uma das, sei lá, qüinquagésimas tentativas de lançar um equipamento para ler livros digitais. O negócio nunca pegou. Mas, desta vez, o tal do Kindle parece que vai vingar – em poucos dias, o estoque da Amazon de mais de 80 mil aparelhos, cada um ao custo de U$ 399, se esgotou. Confesso: um
videozinho que mostra o funcionamento da geringonça me impressionou. O Kindle parece extremamente simples e intuitivo, feito sob medida para dinossauros, que, como eu (apesar da pouca idade), não são lá muito fãs de tecnologia. Você aperta um botão para passar a página, outro para voltar. E ainda tem outro que marca o trecho em que você parou. Bem mais simples do que o Wii do meu irmão.

O Kindle permite aumentar a fonte (fundamental para os dinossauros mais velhos). Tem capacidade para guardar 200 livros digitais, além de assinar revistas e jornais. Uma das novidades é que você não precisa de computador para acessar a loja virtual por meio do aparelho. A tecnologia wireless, chamada Whispernet, faz o Kindle funcionar como um celular, sem necessidade de levá-lo até um lugar com rede wi-fi. E o mais bacana de tudo: a tela não brilha, não é cansativa como a de um computador ou a de um palm, e imita muito bem um papel. Mas isso eu só acredito vendo ao vivo.

Acho que esse negócio de livro digital não é uma ameaça aos livros de papel, ao menos neste milênio. Ok, neste século. Vai saber... Mas uma coisa é a praticidade de guardar centenas de livros num aparelhinho, e poder pesquisar frases específicas dentro dos textos – uma ferramenta do Kindle que é certamente bem útil. Outra coisa é curtir um livro de verdade. Quem ama os livros sabe que sentir a textura, o cheiro e as dobras das páginas, além de contemplar o projeto gráfico ao vivo, faz parte da experiência de leitura.

Será que esse objeto tão especial tem algum risco de desaparecer, ou ao menos de rarear? O que vai acontecer com o saber em papel no andar da carruagem – ou melhor, do avião supersônico – da era digital? Essa questão foi feita a 60 personalidades brasileiras ligadas ao mundo dos livros, entre elas o bibliófilo José Mindlin e o escritor Luis Fernando Veríssimo. O resultado foi o volume O Futuro do Livro (Olhares, R$ 58), que será lançado na quarta (28), uma semana após o anúncio do Kindle. Cada convidado teve duas páginas para se expressar, com textos e imagens. Gostei das palavras do escritor Milton Hatoum. Simples e forte.

Haverá um último livro
sobre a morte do livro?

Leremos palavras no ar?
Na tela de um objeto eletrônico?
O verbo folhear
será esquecido? A frase
vou abrir um livro
será um insulto?
Um gesto anacrônico?

Em cada página impressa
O livro desafia o tempo.




E quanto a você, leitor (de bytes, de páginas impressas, o que for). Qual o futuro do livro para você?

(Gisela Anauate)

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Luís Antônio Giron
Editor de Cultura da Época. Jornalista, escritor e crítico. Doutor em Artes Cênicas pela USP, Mestre em Musicologia pela USP. Doutor e Mestre pela USP. Autor dos seguintes livros: Ensaio de Ponto (romance, 34, 1998), Mario Reis, o Fino do Samba (biografia, 34, 2001), Minoridade Crítica (ensaio de história cultural, Ediouro/Edusp, 2004), Até Nunca Mais POr Enquanto (contos, Record, 2004), Teatro Completo de Gonçalves Dias (edição, organização, estabelecimento de texto, ensaio introdutório), A Bacanal do Espírito: Gonçalves Dias Folhetinista (a sair pela Record), Crônicas reunidas de Gonçalves Dias (organização, ensaio introdutório, estabelecimento de texto, a sair pela Record).
 
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  Martha Mendonça
é jornalista e escritora do Rio de Janeiro.

Nelito Fernandes
é jornalista, tem a mente aberta mas é heterossexual.

Gisela Anauate
é repórter de Mente Aberta, autora do livro Dissonantes (sem editora, se alguém quiser, por favor, contate), sobre cinco músicos nada convencionais.

Marcelo Zorzanelli,
repórter, ex-publicitário convertido.

Denerval Ferraro Jr.
é editor da seção Quem Acontece, é crítico de cinema e de gastronomia.

Laila Abou Mahmoud
é repórter de Época Online, paulistana, pisciana, apaixonada por música popular brasileira e por boa prosa.

Marcelo Bernardes
é jornalista e trabalha há 14 anos em Nova York.

Emir Ruivo
é músico.

Danilo Casaletti
é jornalista do Online de Época.

Ana Paula Galli
é repórter do Online de Época.

Rafael Pereira
é jornalista e diverte-se com os amigos tocando rock n' roll.
 
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