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26/10/2007
Cafona, divino, maravilhoso. E tropical

Chacrinha, além de uma lenda da TV, como mostrou a Laila no post aí embaixo, também foi ícone do tropicalismo. Isso mesmo. Um dos mais importantes movimentos culturais brasileiros, que transformou a cena musical no final dos anos 60, elegeu essa figurinha bizarra como um símbolo da sua proposta: bagunçar as fronteiras entre o erudito e o popular, o sofisticado e o brega. Como escreveu o compositor Torquato Neto num texto de 68, o objetivo era “assumir completamente tudo o que a vida dos trópicos pode dar, sem preconceitos de ordem estética, sem cogitar de cafonice ou mau gosto, apenas vivendo a tropicalidade e o novo universo que ela encerra, ainda desconhecido”. Uau. Divino e maravilhoso, como canta Gal Costa em uma das canções-hino do tropicalismo. Aliás, a Gal disse ao Luís Antônio Giron, nosso editor do Mente Aberta, que a primeira vez em que se vestiu de roqueira foi para cantar essa música. O visual tropicalista de Gal, meio Janis Joplin, meio black power, está entre as fotos incríveis da nova versão do site www.tropicalia.com.br. Para comemorar os 40 anos de divulgação do manifesto tropicalista, um grupo de pesquisadores reformulou o site e encheu a página de conteúdos raros. Há uma gravação de Caetano Veloso tentando cantar e discursar ao mesmo tempo, berrando ao som das vaias do público e das guitarras dos Mutantes, seus companheiros de palco no 3o Festival Internacional da Canção, em 68. O empenho de Caetano no microfone aparece bem na foto acima. O site também tem vídeos com as performances de Gil e sua turma, entrevistas, biografias, textos. A parte mais bacana – bacanérrima, eu diria, em tom tropicalista – é a das reportagens históricas. Não percam “Depois da festa, uma Ceia de Bananas e Abacaxis”, sobre uma festa tropicalista em que Chacrinha cantou uma música de Caetano. Uma verdadeira geléia geral.
(Gisela Anauate) |
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25/10/2007
Quem te viu, Quem TV - Memórias televisivas

Lembra do Chacrinha levando a mão ao nariz e pedindo “Alô, alô, atenção?” E da morte da Odette Roitman? Essas cenas foram inesquecíveis para gerações de espectadores. Pois, na Inglaterra, o serviço de TV digital Freeview encomendou uma pesquisa com 2 mil telespectadores perguntando o que, no mundo das notícias, esportes e entretenimento, não vai ser apagado de jeito nenhum de suas memórias.
Para eles, a queda das torres gêmeas do World Trade Center em Nova York, em 11 de setembro, foi o momento mais memorável da televisão nos últimos 50 anos. Quase metade (45%) dos entrevistados escolheram o episódio como o mais importante dos últimos quarenta anos. O acontecimento de 2001 ficou à frente, no ranking, da chegada do homem à Lua (terceiro lugar) e da queda do muro de Berlim (quarto lugar).
Mas, como a lista é inglesa, eles não são mais inesquecíveis que o funeral da princesa Diana. Ocorrido há dez anos, ele fica com 38% das preferências. A lista inglesa também comporta a vitória da Inglaterra na Copa do Mundo de 1966, mais lembrada que a morte do presidente dos Estados Unidos J.F. Kennedy, em 1963.
A lista inglesa:
Os 10 momentos inesquecíveis da TV nos últimos 40 anos
1 - A queda das torres gêmeas do World Trade Center 2- O funeral da princesa Diana 3 - A transmissão do homem pisando na Lua pela primeira vez 4 - A queda do muro de Berlim 5 - Bob Geldof (vocalista do grupo irlandês Boomtown Rats) pedindo nosso ‘f******’ money’ (dinheiro f*) durante o Live Aid (Geldof organizou o Live Aid, em 1985 e o Live 8 em 2005). 6- O esquete “Four Candles” da série Two Ronnies (uma das mais bem sucedidas da televisão britânica. Teve 12 temporadas entre 1971 e 1987 e consagrou os humoristas e amigos Ronnie Barker e Ronnie Corbett) 7 - Ricky Gervais (o comediante criador da série) dançando no seriado The Office 8 - O esquete do papagaio morto da trupe de humor Monty Python 9 - A vitória da Inglaterra na Copa do Mundo de 1966 10 - O tiro que matou JFK
No Brasil a lista com certeza seria diferente. O que você colocaria nela?
(Laila Abou Mahmoud) |
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24/10/2007
Além do arco-íris no mundo do faz-de-conta

Foi a revelação mais comentada da semana: a escritora inglesa J.K. Rowling, autora da série infanto-juvenil Harry Potter, declarou que o personagem Albus Dumbledore, diretor da escola de magia Hogwarts, era gay. Mais: o diretor fora apaixonado por um estudante – não, não era Harry! –, paixão que o havia deixado cego para os defeitos de seu objeto de amor, o malvadinho Gellert Grindelwald. Seria apenas um factóide criado pela autora para aumentar o falatório a redor do último livro da série, lançado na Inglaterra em julho? Na verdade, eu não saberia julgar: nunca fui muito íntimo das aventuras do bruxinho e seus colegas. Vi apenas alguns filmes e, sinceramente, jamais suspeitei que Dumbledore fosse gay ou hétero. Aliás, acho que até A Noviça Rebelde expressa mais sexualidade do que os personagens de Harry Potter. Minha única dúvida era o professor Snape, cheio de esgares suspeitos e com todo aquele cabelão emo, quase um chanel. Mas até nisso eu errei, pois no fim soube-se que o professor sempre amou a mãe de Harry.

Esse imbróglio de orientações sexuais nas grandes sagas acabou me lembrando O Senhor dos Anéis: a relação dos hobbits Frodo e Sam sempre me pareceu íntima demais. Era um tal de olhares intensos, declarações ardentes e uma dedicação canina enquanto a dupla procurava o tal anel. “Só falta um beijo”, disse um rapaz à namorada, sentados à minha frente no cinema, na última parte da saga. Ou, como disse um colega de trabalho, tudo começou mesmo com o tio de Frodo, Bilbo, um solteirão que vagava pela Terra Média, com sua inseparável bolsa, até o dia em que achou o anel e deu início a toda aquela confusão. (Mais saberemos caso realmente seja filmado O Hobbit, prólogo da saga criada por J.R.R. Tolkien) Mas longe de soar preconceituoso, por favor. Se existem homos, héteros, bis, trans e pansexuais em todo o mundo, por que não na Terra Média – ou em Hogwarts? Vamos apoiar a diversidade e incentivar o outing, na vida real e na ficção. Quem sabe, agora, o gambá Flor, do desenho Bambi, finalmente diga a que veio?
(Denerval Ferraro Jr.) |
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23/10/2007
Novo CD coroa Britney rainha do pop

Britney Spears está de volta. A borboletinha do pop de outrora aterrisou nas paradas de sucesso, desta vez com trejeitos de albatroz. "Gimme More", o primeiro single de Blackout, seu novo CD, teve ótimas vendas apesar da avalanche de escândalos que diariamente abastecem os tablóides - só nos últimos meses, Britney raspou a cabeça, quase caiu do palco na TV, perdeu a guarda dos filhos e foi fotografada sem calcinha uma miríade de vezes. É um recado para aqueles que achavam que sua carreira estava encerrada. As vendas do single "Gimme More" só ficam atrás das de "...Baby One More Time", faixa que data do auge de sua popularidade como musa adolescente.
Blackout, que será lançado na próxima semana, traz outras 11 faixas assinadas por um time de produtores encabeçado por Danja (cria de Timbaland e co-responsável pelos últimos trabalhos de Justin Timberlake e Nelly Furtado). O CD é a coroação de Britney como a rainha do pop.
Com ele a vida da mãe de dois filhos, celebridade perseguida e usuária frequente de substâncias ilícitas, se funde definitivamente à cerne contraditória do pop - o gênero que quanto mais sujo, mais puro.
Se pop é arte que se faz com aquilo que todos julgam lixo, não havia exílio criativo mais apropriado do que os lugares e circunstâncias em que Britney se meteu nos últimos tempos.
O resultado é o que fãs e curiosos encontrarão em Blackout: a mais pura sujeira pop, um amontoado de referências que vão desde arpejos flamencos ao R&B, tudo filtrado, mexido, sacodido e sobreposto sem restrições.
Não vai demorar e as representações cibernéticas da voz de Britney (atrações à parte do álbum, as vozes variam do tom infantil ao clone de Shirley Manson, vocalista do Garbage) ocuparão os clubes e pick-ups e todos reconhecerão que ela é quem merece ocupar o trono de rainha do pop. Quanto à Madonna? Intocável demais, espiritualizada demais; seus tempos de Erotica são memoráveis, mas ela hoje ocupa uma outra categoria não menos honrosa - a de sobrevivente ao pop.
Blackout é, totalmente, da capa fake, passando pela produção reluzente e pelas letras vazias, prova de que não existe nada mais pop do que Britney Spears. É como se a ex-integrante do Clube do Mickey perguntasse: quem precisa de músculos rijos, roupa de baixo, reputação ou cabelos de verdade quando se alcança o pop absoluto?
(Marcelo Zorzanelli) |
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| Luís Antônio Giron |
| Editor de Cultura da Época. Jornalista, escritor e crítico. Doutor em Artes Cênicas pela USP, Mestre em Musicologia pela USP. Doutor e Mestre pela USP. Autor dos seguintes livros: Ensaio de Ponto (romance, 34, 1998), Mario Reis, o Fino do Samba (biografia, 34, 2001), Minoridade Crítica (ensaio de história cultural, Ediouro/Edusp, 2004), Até Nunca Mais POr Enquanto (contos, Record, 2004), Teatro Completo de Gonçalves Dias (edição, organização, estabelecimento de texto, ensaio introdutório), A Bacanal do Espírito: Gonçalves Dias Folhetinista (a sair pela Record), Crônicas reunidas de Gonçalves Dias (organização, ensaio introdutório, estabelecimento de texto, a sair pela Record). |
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Martha Mendonça
é jornalista e escritora do Rio de Janeiro.
Nelito Fernandes é jornalista, tem a mente aberta mas é heterossexual.
Gisela Anauate é repórter de Mente Aberta, autora do livro Dissonantes (sem editora, se alguém quiser, por favor, contate), sobre cinco músicos nada convencionais.
Marcelo Zorzanelli,
repórter, ex-publicitário convertido.
Denerval Ferraro Jr.
é editor da seção Quem Acontece, é crítico de cinema e de gastronomia.
Laila Abou Mahmoud é repórter de Época Online, paulistana, pisciana, apaixonada por música popular brasileira e por boa prosa.
Marcelo Bernardes é jornalista e trabalha há 14 anos em Nova York.
Emir Ruivo é músico.
Danilo Casaletti é jornalista do Online de Época.
Ana Paula Galli é repórter do Online de Época.
Rafael Pereira
é jornalista e diverte-se com os amigos tocando rock n' roll. |
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