21/10/2007
O último dos cafajestes


Não vi ninguém juntando as pontas, mas foi curioso saber, no mesmo dia, da morte do ator e comediante Joey Bishop (à direita na foto) e da demolição do hotel-cassino Sands, em Atlantic City, Estados Unidos. As duas notícias representam o fim de uma era. Bishop era o remanescente de um grupo de talentosos cafajestes denominados The Rat Pack (algo como "a turma dos ratos"). Os companheiros de Bishop eram ninguém menos que Frank Sinatra (1915-1998), Sammy Davis, Jr. (1925-1990), Dean Martin (1917-1995) e Peter Lawford (1923-1984). Os cinco faziam um divertidíssimo espetáculo de humor e música que percorreu as casas de shows americanas na década de 60. Cantavam, contavam piadas e bebiam sem parar. O Sands era considerado a casa do grupo. Bishop morreu na quarta-feira, dia 17, e o Sands foi ao chão no dia seguinte, para dar lugar a um novo e moderníssimo cassino.



Para quem não conheceu o Rat Pack, segue abaixo uma espécie de trailer de Onze Homens e Um Segredo ("Ocean's Eleven", de 1960), a primeira versão do filme que, em 2001, foi refilmado com estrelas como George Clooney, Matt Damon e Brad Pitt. Os cinco cafajestes eram as principais estrelas do filme. No fim do clipe, com a música tema na voz de Sammy, Bishop é justamente o último da fila a ser olhado, quando os onze bandidos percebem que o assalto tinha dado errado. O último a se juntar à gangue na eternidade.



(Rafael Pereira)

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19/10/2007
Rihanna pé-de-serra... erra... erra... eh...eh



A cantora americana Rihanna é o atual “hype” das pistas e muitos a apontam como a nova Beyoncée – como se a própria já tivesse desaparecido. Enfim, o grande sucesso de Rihanna, “Umbrella”, já teve vários remixes para ajudar o povo da noite a chacoalhar o esqueleto nas pistas de dança. Agora, a música ganhou uma inusitada (e divertidísima) versão forró pé-de-serra, num vídeo hilário. Se a moda pega, logo teremos o arrasta-pé de Madonna ou o rala-coxa de Justin Thimberlake.

Denerval Ferraro Jr.

Via
Papel Pop

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18/10/2007
Babenco limou filme de Fitipaldi de sua obra



O Passado é o novo filme do diretor paulistano-portenho Hector Babenco. Um mergulho profundo na fenomenologia da separação, estrelado por Gael García Bernal (Rimini) e Analía Couceyro (Sofia) – esta última uma atriz extraordinária. Babenco capta como poucas vezes no cinema a possessividade feminina e a leviandade dos machos. Adorei o filme, que continua pulsando no meu cérebro.
E, por falar em Passado, estava olhando a filmografia do genial diretor no folheto do filme e percebi que ele cortou sua primeira grande experiência cinematográfica da filmografia. Oficialmente, ele começou com O Rei da Noite, de 1975. De fato, foi seu primeiro longa-metragem de ficção. Mas Babenco começou dois anos antes, com o longa-metragem documentário O Fabuloso Fittipaldi. O filme conta a trajetória do então maior ídolo do automobilismo brasileiro, o campeão mundial Emerson Fittipaldi. Acima, um trecho do filme no YouTube.
Acho que Babenco não tem por que não incluir esse épico dos tempos do Milagre Brasileiro em sua obra. É uma espécie de anti-Pixote, porque fala de um vencedor. Depois, Babenco se dedicaria ao cinema social. Será que Hector, imitando o personagem Rimini, não quer olhar para o passado? Ou é mania de diretor de cinema cult que quer ser conhecido apenas como "autor". Se é assim, a gente pode ver a "autoralidade" da seqüência de Fittibaldi correndo de Maverick amarelo no velho autódromo de Interlagos. É pura emanação do passado, em tomadas e cortes interessantes. A trilha do filme tem assinatura de Marcos Valle, outro autor de peso na cultura brasileira.

(Luís Antônio Giron)

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18/10/2007
Chega de catra patra!



“Catra patra”, em turco, significa “falar uma língua incorretamente e aos tropeços”. Esse é um dos termos levantados pelo inglês Adam Jacot de Boinod em Tingo: O Irresistível Almanaque das Palavras que a Gente Não Tem (Conrad, 216 págs, R$ 37). O livro traz uma série de palavras deliciosas de vários idiomas, com os significados mais complexos, engraçados e inimagináveis. São amostras de como cada língua organiza o pensamento, e acaba traduzindo muito da cultura. Segue uma degustação das melhores, para você não incorrer no catra patra:

* Vaseliner, o verbo em francês que nomeia o ato de passar vaselina, não tem sentido sexual. Significa lisonjear. Tipo babar o ovo de alguém. (Aliás, “babar o ovo” deveria entrar nesse almanaque). Para os japoneses, a expressão kingyo no fun é que designa o puxa-saco. O sentido literal da expressão é cocô de peixe dourado. Isso porque, após fazer as necessidades, os peixinhos são acompanhados por seus detritos enquanto nadam, ao menos durante um tempo.
* O alemão tem algumas palavras fantásticas: kummerspeck é o peso que alguém ganha ao afogar as mágoas na comida (literalmente é o “bacon de tristeza”). Falando em calorias, seser, em shona, língua falada no Zimbábue, é um verbo que significa andar balançando a gordura do corpo.
* Olfrygt, em dinamarquês viking, expressa um sentimento nobilíssimo: o medo de faltar cerveja.
* Umudrovat se é literalmente filosofar no hospício, em tcheco. Algo como vagabundear, em bom português.
* Muwaswas, em árabe, é a pessoa obcecada por decepções. Destrincha um caráter em uma palavra.
* Mokita, no idioma kiriwana, de Papua Nova Guiné, quer dizer algo como “a verdade que todos sabem, mas sobre a qual ninguém fala”. Esclarecedor.
* Os italianos usam a palavra biodegradabile para quem se apaixona toda hora. Faz bem para o meio ambiente, mas não para o coração.
* Bakkushan, em japonês, é uma mulher bonita. Mas só quando vista de trás, e não de frente. Sobre essa palavra, eu ia escrever “não sei como os brasileiros não inventaram isso antes”, mas os meninos da redação me corrigiram a tempo e disseram que o correspondente por aqui é “Raimunda”.
* Já mungil é um termo muito mais aprazível para uma mulher: significa pequena e bonita (sim, ambos) em indonésio. Adorei!
* A capacidade de condensar emoções fortíssimas em alguns fonemas é uma das coisas mais encantadoras das línguas. Yugen, em japonês, é uma “consciência do universo que desperta sentimentos profundos e misteriosos demais para serem postos em palavras”. Essa coisa, assim, tão indizível, cabe sim numa palavra.
* Os japoneses também têm uma palavra para outra agonia humana, mais precisamente masculina: koro, o medo de que o pênis esteja se recolhendo para dentro do corpo (!!!!)
* Ah, tingo, que dá título ao livro, significa pegar tantas coisas emprestadas da casa de um amigo, que não sobra nada. Em rapanui, língua falada na Ilha de Páscoa.

Se você tem um repertório de expressões curiosas (estrangeiras ou nacionais), coloque na roda.

(Gisela Anauate)

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17/10/2007

Ao Vivo, Akon é chato




Tem coisa pior que ídolos caindo na sua frente? O senegalês criado em New Jersey (haja globalização) Akon fez isso diante de milhares de adolescentes, ontem, dia 16, no Via Funchal em São Paulo. Eu já desconfiava, mas não custa verificar: aquilo que toca na rádio e soa tão bem, como Akon, cai por terra rapidinho ao vivo. Ele deve ter tido uma força do Snoop Dogg e do Eminem. Mas, vamos e venhamos, Akon é bem ruinzinho... Não acredite em nada do clipe acima!

(Luís Antônio Giron)

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16/10/2007
Da série: "Era melhor deixar como estava"

Bono gastou quantos créditos de carbono para fazer esta versão de "I am the Walrus", dos Beatles?



Porque foi desperdício. A faixa em questão faz parte da trilha do filme Across the Universe, um musical com trilha só dos Beatles e sem previsão de estréia no Brasil. A versão de Bono para o clássico ficou pior que a interpretação do ator Jim Carrey no CD de despedida do produtor George Martin. Segundo os créditos, a banda que o acompanha se chama "The Secret Machine". Mas você não precisa ter ouvido absoluto para saber que o ruído que acompanha Bono o tempo todo é a guitarra de The Edge, seu parceiro no U2. Dos barulhos inspirados no hip-hop nem é bom falar. Sacrilégio.
Imagino que os músicos se locomoveram até o estúdio usando carros com motor de combustão interna. Talvez Bono, de agenda lotada, tenha pegado um vôo até o lugar combinado para a gravação. Há inclusive a possibilidade do pessoal ter feito um ou dois ensaios - o que multiplica o problema algumas vezes. Está na hora de pensar no meio-ambiente, pessoal.

(Marcelo Zorzanelli)

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16/10/2007
As 100 músicas que ninguém mais consegue ouvir



Elas eram espetaculares nas 10 primeiras audições. Caíram para a categoria de ótimas nas 100 execuções seguintes. Mas estas faixas ficaram mais do que o combinado e hoje causam arrepios pela razão errada: são reflexos de horror, não de prazer. Podem culpar os filmes, as novelas ou simplesmente as rádios “sofisticadas”. O importante é que ninguém mais consegue ouvi-las.

001 — “Yesterday” — The Beatles
002 — “My way” — Frank Sinatra
003 — “Imagine” — John Lennon
004 — “Blowin’ in the wind” — Bob Dylan (idem para a versão do senador Eduardo Suplicy)
005 — “Codinome beija-flor” — Cazuza
006 — “Smoke on the water” — Deep Purple
007 — “Stairway to heaven” — Led Zeppelin
008 — “Hotel California” — The Eagles
009 — “Rock ‘n’ roll all nite” — Kiss
010 — “Você não soube me amar” — Band Blitz
011 — “Like a virgin” — Madonna
012 — “Sweet child o’ mine” — Guns ‘n’ Roses
013 — “Bohemian Rhapsody” — Queen
014 — “Sunshine of your love” — Cream
015 — “O bêbado e o equilibrista” — Elis Regina
016 — “País Tropical” — Jorge Ben Jor
017 — “Every breath you take” — The Police
018 — “Pretty woman” — Roy Orbinson
019 —”Satisfaction” — The Rolling Stones
020 — “California dreamin” — The Mammas and the Papas
021 — “Light my fire” — The Doors
022 — “I Feel good” — James Brown
023 — “Sunday, bloody Sunday” — U2
024 — “Emoções” — Roberto Carlos
025 — “Ebony and ivory” — Paul McCartney e Stevie Wonder
026 — "Leãozinho" — Caetano Veloso
027 — "Paratodos" — Chico Buarque
028 — "Borbulhas de amor" — Fagner
029 — "Gita" — Raul Seixas e Paulo Coelho
030 — "Bem que se quis" — Pino Daniele, vers.Nelson Motta
031 — "Mamãe eu quero" — Jararaca e Ratinho
032 — "Trem das onze” — Adoniran Barbosa
033 — "Luka" — Susanne Vega
034 — "Crocodile rock" — Elton John
035 — "Garota de Ipanema" — Tom e Vinicius
036 — "Comida" — Arnaldo Antunes
037 — "É o amor" — Zezé di Camargo
038 — "No rancho fundo" — Lamartine Babo-Luiz Peixoto
039 — "Romaria" — Renato Teixeira
040 — "Você é linda" — Caetano Veloso
041 — "Oceano" — Djavan
042 — "Candle in the wind" — Elton John
043 — "Asa branca" — Luiz Gonzaga
044 — "É" — Gonzaguinha
045 — "Let's get it on" — Marvin Gaye
046 — "Simply the best" — Tina Turner
047 — "Asa morena" — Zizi Possi
048 — "A whiter shade of pale" — Procol Harum
049 — "Bridge over troubled water" — Simon and Garfunkel
050 — "Rapaz latino americano" — Belchior
051 — "Stayin alive" — Bee Gees
052 — "Já sei namorar" — Carlinhos Brown, Marisa Monte e Arnaldo Antunes
053 — "Noite do prazer" — Claudio Zoli
054 — "Sem pecado e sem juízo" — Baby do Brasil
055 — "Águas de Março" — Elis Regina e Tom Jobim
056 — "Guantanamera" — José Fernandez Diaz
057 — "Encontros e despedidas" — Maria Rita
058 — "Bandolins" — Oswaldo Montenegro
059 — "Espanhola" — Sá, Rodrix e Guarabira
060 — "Paisagem na janela" — Lô Borges
061 — "Um dia de domingo" — Gal Costa e Tim Maia
062 — "Me dê motivo" — Tim Maia
063 — "Samurai" — Djavan
064 — "Andança" — Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi
065 — "Coração de estudante" — Milton Nascimento
066 — "Ronda" — Paulo Vanzolini
067 — "Wave (Vou te contar)" — Tom Jobim
068 — "Sampa" — Caetano Veloso
069 — "Cidade maravilhosa" — André Filho
070 — "Papel machê" — João Bosco
071 — "We are the champions" — Queen
072 — "Per amore" — Zizi Possi
073 — "Aquele abraço" — Gilberto Gil
074 — "Só tinha de ser com você" — Tom Jobim
075 — "Pela luz dos olhos teus" — Tom Jobim e Miúcha
076 — "Meu erro" — Paralamas do Sucesso
077 — "Pais e filhos" — Legião Urbana
078 — "Deixa a vida me levar" — Zeca Pagodinho
079 — "Wonder wall" — Oasis
080 — "Chão de giz" — Zé Ramalho
081 — "Juventude transviada" — Luiz Melodia
082 — "Ó Paí, ó" — Caetano Veloso
083 — “I will survive” — Gloria Gaynor
084 — "A luz de tieta" — Caetano Veloso
085 — "Paranoid" — Black Sabbath
086 — "Admirável gado novo" — Zé Ramalho
087 — "Baby" — Caetano Veloso
088 — "Tigresa" — Caetano Veloso
089 — "O que é, o que é" — Gonzaguinha
090 — "Clocks" — Coldplay
091 — "Canteiros" — Fagner
092 — “Paralelas” — Belchior
093 — "À francesa" — Marina
094 — "Tears in heaven" — Eric Clapton
095 — "Californication" — Red Hot Chilli Pepers
096 — "Eu nasci há dez mil anos atrás" — Raul Seixas
097 — "Aquarela" — Toquinho e Vinícius de Moraes
098 — "Chuva de prata" — Gal Costa
099 — "Garota nacional" — Skank
100 — "Faz parte do meu show" — Cazuza

Viu uma injustiça? Aquela canção chatérrima ficou de fora? Como vocês podem perceber, a lista só agrega músicas que são realmente boas. A faixa “You’re beautiful”, de James Blunt, por exemplo, cansou nossos ouvidos – mas sempre foi horrenda.

(Marcelo Zorzanelli)

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Luís Antônio Giron
Editor de Cultura da Época. Jornalista, escritor e crítico. Doutor em Artes Cênicas pela USP, Mestre em Musicologia pela USP. Doutor e Mestre pela USP. Autor dos seguintes livros: Ensaio de Ponto (romance, 34, 1998), Mario Reis, o Fino do Samba (biografia, 34, 2001), Minoridade Crítica (ensaio de história cultural, Ediouro/Edusp, 2004), Até Nunca Mais POr Enquanto (contos, Record, 2004), Teatro Completo de Gonçalves Dias (edição, organização, estabelecimento de texto, ensaio introdutório), A Bacanal do Espírito: Gonçalves Dias Folhetinista (a sair pela Record), Crônicas reunidas de Gonçalves Dias (organização, ensaio introdutório, estabelecimento de texto, a sair pela Record).
 
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  Martha Mendonça
é jornalista e escritora do Rio de Janeiro.

Nelito Fernandes
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Gisela Anauate
é repórter de Mente Aberta, autora do livro Dissonantes (sem editora, se alguém quiser, por favor, contate), sobre cinco músicos nada convencionais.

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é editor da seção Quem Acontece, é crítico de cinema e de gastronomia.

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é repórter de Época Online, paulistana, pisciana, apaixonada por música popular brasileira e por boa prosa.

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Rafael Pereira
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