Quer aprender mais sobre a história da MPB? Que tal aprender com um pessoal conceituado como André Domingues e Luiz Tatit? Pois a Biblioteca Alceu Amoroso Lima, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, vai oferecer atividades gratuitas com eles. Cursos de contação de histórias e oficinas de escrita e interpretação de prosa, poesia e dramaturgia também estão na programação bimestral da biblioteca. Saraus, debates e apresentações musicais completam a programação, que você pode conferir aqui.
Dos Anos de Chumbo à Era Eletrônica - Os desenvolvimentos da MPB após o golpe militar de 1964 Por André Domingues. Como o golpe influenciou na vida cultural, sobretudo musical, brasileira. O curso traça uma trajetoria da MPB desde antes do período da ditadura até depois de seu término. Sempre às quintas: 18 e 25 de outubro, 1, 8, 22 e 29 de novembro, 6 e 13 de dezembro, das 19h às 21h.
A Linguagem da MPB Aula-palestra sobre a linguagem da canção, utilizando exemplos de diversos gêneros e épocas da Música Popular Brasileira. O conferencista, Luiz Tatit, é autor de livros como O século da canção e diversos títulos que esmiuçam a semiótica da canção. Quarta, 10 de outubro, às 19h
INSCRIÇÕES PARA AS OFICINAS De segunda à sexta, das 10h às 19h, pessoalmente ou pelo telefone 3082-5023. As vagas são limitadas e serão preenchidas por ordem de inscrição. TODAS AS ATIVIDADES SÃO GRATUITAS.
Quem está curioso para ver os brasileiros Caetano Veloso, Chico Buarque e Toni Garrido na nova produção do diretor espanhol Carlos Saura, anote na agenda: o filme vai estrear no Brasil no próximo sábado, 29 de setembro, às 21h30, no Festival de Cinema do Rio de Janeiro (quem quiser conferir os outros horários, clique aqui)
A obra é uma co-produção portuguesa e faz parte do ciclo de produções do diretor sobre música, com Flamenco (1995) e Tango (1998). Outros artistas de peso participam do filme: a cabo-verdiana Lura, a mexicana Lila Downs (que participou da trilha de “Frida”) e a renomada fadista Mariza.
O filme custou R$ 8,1 milhões e a maior parte de suas cenas foi rodada em estúdio, em Madri. Em alguns dos 90 minutos de projeção, Chico Buarque entra em cena com o cantor português Carlos do Carmo em “Fado Tropical”. Prepare-se, pois, para ouvir suspiros femininos.
O trio The Police volta a se apresentar no Brasil depois de 25 anos. A turnê de retorno da banda, formada por Sting (vocais e baixo), Andy Summers (guitarra) e Stewart Copeland (bateria) confirmou a passagem pela América Latina. O show The Police Live in Rio acontecerá no Maracanã em 8 de dezembro. O evento marcará os 20 anos do show solo de Sting no mesmo local. A turnê latino americana começa dia 24 de novembto pelo México. Continua em 1º e 2 de dezembro pela Argentina, passa pelo Chile dia 5 e se encerra apoteoticamente no Brasil. Em seguida, a banda parte para a Nova Zelândia e termina a turnê mundial na Austrália. O The Police, uma das mais bandas mais inovadoras da música pop, já percorreu o mundo na sua rentrée. Fez furor por onde passou: Estados Unidos, Canadá, Suécia, Dinamarca, Reino Unido, Alemanha, Holanda, República Tcheca, Áustria, Portugal, Irlanda, Itália, Espanha, França, Bélgica e Suiça. A vinda do The Police ao Brasil foi resultado de quase um ano de negociação entre a Brasil 1 Entretenimento, do Brasil, e as empresas Live Nation, dos Estados Unidos e DG Médios Y Espetáculos, da Argentina. Quem quiser conferir como andam as performances da banda, basta clicar nos vídeos do Youtube. Um deles traz “Message in a bottle”, um clássico do pop-rock. O que distingue o The Police de outras bandas é a extrema musicalidade dos seus músicos. Cada um deles revolucionou a canção pop à sua maneira: Sting pelas letras inteligentes e a emissão vocal levemente rouca e aguda; Summers, pelo uso engenhoso e virtuosístico da guitarra, na criação de harmonias sofisticadas; e Copeland, pelas batidas que até hoje inspiram seguidores.
Depois de uma série de exames, tomografias e consultas, o médico dá o diagnóstico: Alzheimer. Essa palavrinha esquisita é um sinônimo de tragédia para muitas famílias. Na de Trish Vradenburg, se transformou em comédia – ok, comédia dramática. A peça A Graça da Vida surgiu quando a mãe da escritora americana ficou doente. Em cartaz em São Paulo, com direção e tradução de Aimar Labaki e adaptação de Paulo Autran, a peça tem como personagem uma redatora trintona de séries de televisão, Kate (Graziella Moretto). Ela nunca tem tempo para visitar a mãe, Grace (Nathalia Timberg), uma senhora elegante, espirituosa e que sempre tem uma crítica ferina na ponta da língua. Quando a encontra, Kate geralmente ouve observações pouco elogiosas sobre seus cabelos, suas roupas e sobre o fato de não estar casada e cheia de filhos. Os diálogos são velozes e engraçados.
O Alzheimer muda tudo. A doença evolui rápido em Grace, que de observadora e falante, passa a confundir nomes, datas, lugares. E de repente está numa cadeira de rodas, com um olhar perdido, sem reações. O interessante é ver como, à medida que a doença evolui, a família vai se reconfigurando. A filha ausente se torna companheira. A filha queridinha some. O marido não agüenta o tranco. A situação dramática (interpretada muito bem por Nathalia Timberg), no entanto, é toda entremeada por momentos cômicos. Mas aqui eles ficam um tanto forçados. A sensação é de que o Alzheimer traz uma nuvem negra sobre o palco, e as piadas servem como beliscões para não deixar o público se afundar na tristeza. Como se alguém faz cócegas quando você está de mau humor. Meio artificial. Grace passa então a integrar um estudo clínico e dá sinais de que a doença está regredindo.
Veio então o intervalo da peça. Havia várias pessoas comovidas na platéia, que provavelmente viram em suas próprias famílias o poder de destruição do Alzheimer. Entre elas, estava uma moça, que, durante a apresentação, soltava um “ai meu Deus” toda vez que o texto pendia mais para o drama que para a comédia.
Na volta do intervalo, há também o retorno mágico da paciente à vida. O recurso incomodou uma terapeuta ocupacional que estava na platéia – mais precisamente, minha tia, Maria Cristina Anauate. “Isso é ficção!”, ela exclamou, meio alto, até. Mas o público respirou aliviado. Passou a rir das piadas mais bestas. Afinal, alguma boa alma tinha resgatado (ao menos por algum tempo) aquela personagem simpática do buraco negro do Alzheimer. No fim Grace piora um pouco. Afinal, Alzheimer não tem cura. E não dá para abandonar de todo a verossimilhança só para fazer a platéia mais feliz.
Apesar de ter criticado o renascimento impossível da personagem e o médico antiético (que descreveu de forma crua a natureza da doença para a Kate, a filha, e ainda saiu com ela depois), Maria Cristina gostou do resultado. “Às vezes a família acha que o doente de Alzheimer está morto. Mas a peça mostra que ainda há vida”, disse ela. Eu, que não entendo muito de Alzheimer, achei a montagem didática e o texto tocante e divertido, em alguns momentos. Mas, do ponto de vista estético, parecia TV demais – com as piadas prontas e as transformações súbitas – e teatro de menos.
A Graça da Vida fica em cartaz no Teatro Vivo até 30 de setembro, no final desta semana. Teatro Vivo Av. Dr. Chucri Zaidan, 860 - Morumbi Tel.: (11) 3188-4141 Bilheteria: De Teça a Domingo das 14h00 às 20h00 ou até o início do espetáculo. Horários: Sextas/21h30, Sábados/21h00 e Domigos/18h00. As sessões de sextas-feiras contam com o recurso da audiodescrição do espetáculo. As pessoas com deficiência visual pagam meia-entrada. É necessário fazer reserva por telefone, de terça a quarta, das 14h00 às 20h00. Lotação: 280 lugares Duração: 120 min. (com 15 min. de intervalo) Censura: 12 anos Ingressos: R$50,00 - inteira e R$25,00 - meia.
Editor de Cultura da Época. Jornalista, escritor e crítico. Doutor em Artes Cênicas pela USP, Mestre em Musicologia pela USP. Doutor e Mestre pela USP. Autor dos seguintes livros: Ensaio de Ponto (romance, 34, 1998), Mario Reis, o Fino do Samba (biografia, 34, 2001), Minoridade Crítica (ensaio de história cultural, Ediouro/Edusp, 2004), Até Nunca Mais POr Enquanto (contos, Record, 2004), Teatro Completo de Gonçalves Dias (edição, organização, estabelecimento de texto, ensaio introdutório), A Bacanal do Espírito: Gonçalves Dias Folhetinista (a sair pela Record), Crônicas reunidas de Gonçalves Dias (organização, ensaio introdutório, estabelecimento de texto, a sair pela Record).