 |
 |
24/09/2007
Persépolis em Hollywood?

A cerimônia do Oscar que acontecerá no dia 24 de fevereiro de 2008 pode contar com uma parceira não-oficial entre França e Irã. Persépolis, o desenho animado longa-metragem inspirado na história em quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi, foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro pela França.
A história em quadrinhos foi publicada no Brasil pela Companhia das Letras. São quatro volumes, o último deles lançado em fevereiro desse ano. No enredo, a revolução iraniana e tantos outros episódios históricos filtrados pelos olhos da pequena Marjane. Ela assiste aos acontecimentos políticos de seu país, como a queda do xá Rheza Pahlevi, e relata a maneira como eles impactaram sua vida - que não foi pouco, sobretudo porque seus pais foram intelectuais perseguidos pelo regime. A história segue por seu exílio forçado, aos 14 anos, em Viena. A exibição do filme em Cannes desse ano gerou protestos do governo iraniano contra o governo francês.

As imagens são feitas a mão, segundo Marjane, porque há uma vibração que dá vida aos personagens. O filme terá distribuição nos EUA pela Sony Classics. Catherine Deneuve, que aparece como uma das vozes do filme junto de Chiara Mastroianni, já confirmou sua participação na dublagem para o inglês.
Para quem mal pode esperar o filme, exibido no Festival de Cannes desse ano, chegar ao Brasil, pode assistir ao trailer no site oficial. Não deixe de assistir, no mesmo site, ao making of no qual Marjane, ao falar da parceria com o francês Vincent Paronnaud na direção, auto-entitula a dupla como um emblema de que a cisão cultural oriente-ocidente é uma tremenda baboseira e que, para as pessoas se entenderem, elas só precisam ter inteligências compatíveis. Recado dado.
(Laila Abou Mahmoud) |
|
 |
 |
 |
 |
20/09/2007
Double You, 'alguma coisa muito especial'
 (Update: a matéria passou por adequações de estilo). A banda de eurodance de maior sucesso no Brasil nos anos 90 chegou a vender 5 milhões de discos no mundo com seu maior hit, "Please Don't Go". A banda fez um show curto em São Paulo no dia 13 de setembro, começando uma turnê que passará por clubes de médio porte em várias cidades do Brasil. No mesmo dia, Willian Narraine, o criador - ou o próprio Double You - conversou com Época.
ÉPOCA: Você teve muitas namoradas naquele momento em que era um dos maiores pop-stars do planeta? Narraine: Não.
ÉPOCA: Como não? Narraine: Tinha muito trabalho. Tocava o tempo inteiro.
ÉPOCA: No show de SP tinha uma garota chorando. Você continua charmoso às mulheres? Narraine: Você deveria perguntar pra elas. Eu não sei. Espero que sim.
ÉPOCA: Ficaste rico? Narraine: Essa entrevista é demais (risos). Vamos dizer que é um privilégio conseguir trabalhar e ganhar grana com o que você gosta. Mas com certeza a maior parte do dinheiro foi para as gravadoras.
ÉPOCA: Qual é a diferença entre a platéia do começo dos anos 90 e a de hoje? Narraine: É igual. Graças a Deus, o entusiasmo é sempre grande. Não tem diferença, as pessoas são as mesmas, no sentido de calor humano, entusiasmo. Hoje nós temos o público dos anos 90 e a molecada. É engraçado ver uma platéia com idades misturadas.
ÉPOCA: O que você aprendeu neste tempo? Narraine: Primeira coisa, aprendi a falar português, que eu não sabia. Depois, que é o mais importante na vida, não importa trabalho ou grana, é tentar ser a mesma pessoa, e ser humilde. Eu aprendi que você pode aprender muita coisa com qualquer pessoa, sempre - da pessoa mais simples à mais rica. E aprendi que tenho um grande privilégio de poder fazer o que faço.
ÉPOCA: Para quem você escreveu "Please Don't Go"? Narraine: Infelizmente não escrevi "Please Don't Go", senão estaria rico. Foi KC & the Sunshine Band.
ÉPOCA: Ops, desculpe . Você gravou também uma música com eles. É fã? Narraine: Claro.
ÉPOCA: De quem mais? Narraine: Police, George Michael, obviamente Beatles, alguns artistas da onda dos anos 80 inglês, algum soul dos anos 70 dos EUA.
ÉPOCA: E artistas brasileiros? Narraine: Eu admiro muito Tim Maia.
ÉPOCA: Em quem você pensa hoje quando canta "Please Don't Go"? Narraine: Quando eu gravei, foi dedicado à minha mãe, que faleceu um mês antes de gravar.
ÉPOCA: Você ainda pensa nela quando canta a música? Narraine: Claro. Com certeza tem alguma coisa... Eu gravei [a música] e, da noite para o dia, estava estourado no mundo inteiro. Tem alguma coisa muito especial.
(Emir Ruivo) |
|
 |
 |
 |
 |
19/09/2007
O.J. Simpson se livra novamente

Três dias após ter sido preso em Las Vegas, acusado de assalto à mão armada, agressão e seqüestro, O.J. Simpson saiu da cadeia na tarde de hoje. O ex-jogador de futebol americano e também ator ganhou liberdade provisória após pagar uma fiança de US$ 125 mil, entregar seu passaporte e comprometer-se a voltar ao tribunal no dia 22 de outubro. Segundo a polícia, o ex-atleta, acompanhado de quatro homens, invadiu o quarto do comerciante Alfred Beardsley, no hotel Palace Station Casino, para tentar roubar artigos esportivos para colecionadores, como o certificado do Hall of Fame. Simpson alegou que os objetos lhe pertenciam e haviam sido roubados por um ex-empresário, fato negado por Beardsley. No domingo, O.J. foi preso após a polícia ter descoberto dois revólveres em uma casa por onde o ex-astro teria passado. Não é a primeira encrenca de Simpson com a justiça. Em 1995, ele foi acusado do assassinato de sua ex-mulher e de um amigo, mas foi absolvido em um julgamento cheio de tumulto. Dessa vez, Simpson pode pegar até 60 anos de prisão, caso seja considerado culpado das 11 acusações que pesam sobre ele. E qual é o veredicto do leitor? O.J. Simpson é culpado ou vítima de uma armação? (Denerval Ferraro Jr.) |
|
 |
 |
 |
 |
19/09/2007
Para gostar de matemática

Aposto que você já se viu em apuros ao tentar explicar para os filhos, os sobrinhos, os irmãos mais novos e até para entender você mesmo o que são números racionais, irracionais e a importância da matemática na nossa vida. Pois agora já tem um livro para dar uma mãozinha.
O autor de O Rapto do Professor de Matemática, (Editora Girafinha) é, quem diria, o cineasta formado em física e matemática pela PUC-RJ Philippe Barcinski. Você acha que já ouviu o nome? Com certeza. Barcinski dirigiu o longa-metragem recentemente em cartaz Não por acaso, além de outros cinco premiados curtas. Sem falar que Barcinski dirigiu um quadro do programa infantil de TV Castelo Rá-Tim-Bum. E parece que a experiência foi inspiradora.
Na sua primeira incursão pela literatura infantil, Barcinski conta a história de um professor de matemática que certo dia vê um caos se instaurar na cidade e descobre que todo o problema está relacionado ao fato de o número 1,35273849827 se sentir desprestigiado diante dos outros, que sempre aparecem.
Importante: não vá esperando um livro paradidático ou, em outras palavras, chato. A ficção ganha ainda em graciosidade com as divertidas ilustrações de Galvão, cujo trabalho é conhecido pelo www.vidabesta.com.

O lançamento acontece Livraria do Unibanco Artplex da praia do Botafogo hoje, 19/09, às 20h. O autor estará presente para uma mesa redonda com a escritora Índigo. Endereço: Praia do Botafogo, 316 – Botafogo tel: (21) 2559-8750
Em São Paulo, o lançamento será no domingo, dia 30 de setembro de 2007, das 15 às 17h na Livraria da Vila Endereço: Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena tel: 3814-5811
(Laila Abou Mahmoud) |
|
 |
 |
 |
 |
18/09/2007
Os Produtores em ritmo de chanchada

A estréia do musical Os Produtores no Brasil, no Tom Brasil em São Paulo, na noite de sábado, dia 15, arrancou aplausos da platéia de convidados, apesar de uma série de tropeços técnicos. No geral, porém, o resultado da montagem é satisfatório. Os destaques ficam para a deslumbrante Jullana Paes (Ulla) e Miguel Falabella (Max Byalistock), também adaptador e diretor do espetáculo. Juliana prova que seu charme sobrevive à televisão. Além de tudo, canta e atua em palco muito bem, com humor e simpatia. Falabella, que faz o empresário inescrupuloso, impressiona em palco. Ele abusa dos “cacos”, tiradas e o monólogo da prisão, cena que exige um ator de recursos. Como se não bastasse, Falabella sabe dirigir musicais como ninguém. Sabe mesmo tirar proveito dos recursos mais limitados do ator Vladimir Brichta (Leo Bloom) e da comicidade de Edgar Bustamante (Franz Liebkind) e de Sandro Christopher (Roger De Bris). Muitos dirão que a direção de Falabella opta pela chanchada. E é o que faz, mesmo porque o original pede o escracho e a piada primitiva. Os Produtores, de Mel Brooks, é de fato uma chanchada politicamente incorreta que vem encantando a Broadway desde a estréia, no ano 2000. Trata-se de um remake em palco do longa-metragem Primavera para Hitler, de 1968, comédia estrelada por Billy Wilder e Zero Mostel. O argumento é o seguinte: arruinado, o produtor Max Bialostock trama com seu contador, Leo Bloom, montar a pior comédia musical de todos os tempos. Com isso, Max obtém o apoio financeiro das senhoras que costuma seduzir, em troca de polpudos cheques. Entrementes, Bloom se apaixona pela secretária sueca Ulla. A escolha recai sobre um musical nazista, intitulado Primavera para Hitler, de autoria do hitlerista Franz Liebkind. Os dois produtores calculam que a afronta será tão grande que o fracasso será certo. Mas, claro, a peça triunfa e os dois escroques terão de dar um jeito de escapar ás garras da lei. Interessante nesse processo é que Mel Brooks é o autor da peça e compositor das canções, letra e música. Para a montagem da Broadway, ele escreveu a música por completo, valendo-se dos chavões do gênero musical. A versão brasileira explora as potencialidades da baixa comédia até a náusea. Mas é tudo musical a rigor. Falabella chamou uma orquestra completa, que toca no estilo do teatro musicado, e contratou um cenógrafo (Alberto Negrin) e um figurinista (Fabian Luca) de enorme talento. Não há dúvida de que será um sucesso. (Luís Antônio Giron)
|
|
 |
 |
 |
 |
18/09/2007
Do bar do Zé Batidão às estantes das livrarias

A edição de Época dessa semana traz uma reportagem abrangente e muito bacana sobre um novo movimento literário que tem acontecido na periferia paulistana, idealizado - e posto em prática - pelos poetas que se reúnem no sarau da Cooperifa. Escrita por nossa premiada repórter especial Eliane Brum, ele mostra como, do encontro semanal no bar do Zé Batidão onde declamam sua produção, os autores propõem uma nova antropofagia e uma nova Semana de Arte Moderna, que acontecerá de 4 a 11 de novembro e prevê desde uma caminhada dos artistas pela periferia até apresentações de teatro, cinema e dança com grupos como Manicômicos (teatro), Arte na Periferia (cinema), Espírito de Zumbi e Umoja (dança). Mais do que isso, o evento pretende mudar o endereço do centro profusor de uma nova cultura e do olhar sobre ele. Para ler, clique aqui. Pois quem não puder presenciar as manifestações, terá facilitado o acesso à obra de parte desses escritores a partir desse mês. É que sua produção literária, antes só acessível nos saraus ou nos livros produzidos artesanalmente pelos próprios autores, agora vai chegar às estantes das livrarias. O nome da coleção é Literatura Periférica e a editora é a Global.
O primeiro livro lançado na série é Colecionador de Pedras, do poeta e agitador cultural Sérgio Vaz. Quinto livro de Vaz, ele foi prefaciado por Férrez, um dos primeiros a dar voz e cor à periferia no mercado editorial, com Capão Pecado (Objetiva), em 2000. Colecionador de Pedras faz uma retrospectiva da produção poética de Vaz ao longo de 20 anos, além de trazer versos inéditos.
A editora tem mais quatro obras a caminho. A previsão é que até o final do ano sejam lançados Sacolinha, com o livro de contos 85 letras e um disparo, apresentado por Marcelino Freire, De passagem mas não a passeio, livro de poemas de Dinha, voz forte e feminina do movimento, apresentado por Elisa Lucinda e a novela Da Cabula, de Allan da Rosa.
Alessandro Buzzo, com seu romance Guerreira, apresentado por Ignácio de Loyola Brandão e Moacyr Scliar, será lançado dia 05 de outubro na Livraria Nobel do Shopping Center 3, em São Paulo (veja endereço no final).
 
Na abrangente reportagem “Os novos antropófagos”, Eliane Brum conta ainda a história de alguns desse novos - mas há muito na batalha - escritores, cuja reivindicação do biscoito fino a que Oswald de Andrade se referia traz agora exigência de lugar e horário para saborear: na periferia e já. E com o sabor local que eles escolheram. Ou melhor, escreveram.
Confira ainda, no site de Época, artigo e entrevista exclusivos de especialistas, como o crítico literário João Cezar de Castro Rocha, professor de Literatura Comparada da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e doutor pela Stanford University que, ao traçar um paralelo entre a dialética da malandragem do crítico literário Antonio Candido, discute a dialética da marginalidade. Esse novo conceito busca entender, mais do que se o homem é cordial, “se os homens concretos se definem pela cordialidade”, como ele mesmo elucida.
Em outras palavras, o que Rocha propõe é lançar olhos atentos para esse novo movimento literário, cuja proposta inclui se valer das tecnologias disponíveis para difundir uma produção que não está disposta a reproduzir antigos valores, mas estabelecer os seus próprios, baseados na voz da oralidade, da coletividade e da reivindicação de seus direitos de cidadão. “Hoje, no Capão Redondo, um sujeito que tem um computador antiqüíssimo, uma conexão a pulso, pode criar um blog e ser estudado por um acadêmico de Harvard”, diz o professor na entrevista. Para acessá-la, clique aqui.
Leia ainda o artigo da professora da faculdade de Educação da USP Neide Luzia de Resende “Sobre Vanguardas e Periferias aqui.
Um trecho do artigo: “O Modernismo, composto de homens da elite, foi beber nas manifestações do povo para revitalizar a cultura. Hoje, apesar do estrato popular dos integrantes do movimento da periferia, não se pode qualificar de inverso o processo, já que as idéias sobre cultura formadas no último século insistem na pluralidade e na diversidade, redefinindo polaridades como culto e popular.”
Vale a pena conferir.
(Laila Abou Mahmoud)
Serviço: Lançamento – Guerreira (romance), de Alessandro Buzzo, Global Editora. Quando: 5 de outubro, sexta-feira, a partir das 18h30 Onde: Livraria Nobel do Shopping Center 3, Avenida Paulista, 2064, Piso Cinelândia, São Paulo. Tel: (11) 3287-7387 |
|
 |
 |
 |
|
|
 |
| Luís Antônio Giron |
| Editor de Cultura da Época. Jornalista, escritor e crítico. Doutor em Artes Cênicas pela USP, Mestre em Musicologia pela USP. Doutor e Mestre pela USP. Autor dos seguintes livros: Ensaio de Ponto (romance, 34, 1998), Mario Reis, o Fino do Samba (biografia, 34, 2001), Minoridade Crítica (ensaio de história cultural, Ediouro/Edusp, 2004), Até Nunca Mais POr Enquanto (contos, Record, 2004), Teatro Completo de Gonçalves Dias (edição, organização, estabelecimento de texto, ensaio introdutório), A Bacanal do Espírito: Gonçalves Dias Folhetinista (a sair pela Record), Crônicas reunidas de Gonçalves Dias (organização, ensaio introdutório, estabelecimento de texto, a sair pela Record). |
| |
 |
RSS (O que é isso?) |
| |
|
|