03/08/2007
É tempo de destrambelhar
A Companhia do Latão volta a encenar a tradução de Manuel Bandeira de O Círculo de Giz Caucasiano, clássico do alemão Bertolt Brecht, no TUSP (Teatro da Universidade de São Paulo)



Assim que entram em cena, os atores – mudos e sérios – encaram a platéia. Eles sentam-se de costas para todos. As luzes se apagam. Começa a projeção de um vídeo. Para a sua versão de O Círculo de Giz Caucasiano, a Companhia do Latão optou por escancarar nesses minutos iniciais seu teatro engajado e reflexivo.

No vídeo, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) contam como é o prólogo da peça: dois povos disputam uma mesma região no caucaso soviético, após o término da Segunda Guerra Mundial. Para celebrar a discussão, um cantor aparece para contar a longa, porém necessária, história de Grucha, uma ajudante de cozinha. Encerrado o vídeo, as luzes reacendem e os atores passam a encenar a trajetória de Grucha. Em meio a uma revolução, a ajudante não consegue abandonar o filho esquecido pela mãe de sangue, mulher de um governante que acabara de ser decapitado.

Independente da orientação política de qualquer de seus espectadores, a Companhia do Latão oferece uma encenação oportuna sobre a questão da reforma agrária. O impacto do prólogo ajuda o público a reconhecer as semelhanças entre a história criada por Brecht na década de 40 e a realidade brasileira atual.

Brecht deixava claro em todas as suas obras o intuito reflexivo da arte que defendia. Para ele, o teatro não podia ser mera válvula de escape, um lugar onde a platéia esqueceria da realidade e de seus problemas. Ao mesmo tempo, o dramaturgo procurava encontrar formas de misturar o conteúdo social com histórias intrigantes e tons cômicos, para despertar o interesse do público nos assuntos que pretendia discutir.

O cenário, aparentemente simples, é transformado a todo momento. Há caixas, uma esteira de palha e dois pedestais de madeira. Os atores usam dos poucos recursos para representar o castelo do governante, uma ponte tortuosa e até as moradias populares.

O grupo Companhia do Latão é reconhecidamente um dos maiores adeptos do teatro pico e dialético de Brecht. Em nenhum momento os atores deixam o palco. Eles estão o tempo todo ali, arrumando o cenário, trocando o figurino, ou mesmo assistindo à representação dos demais colegas.

O público não se esquece de que tudo é apenas uma encenação, uma fantasia para discutir questões reais e pertinentes. A peça segue à risca o desejo de Brecht: torna-se um exercício sobre a função da arte como manifestação política da nossa realidade.

Horário: Sextas e sábados, às 21h e domingos, às 20h 1ª TEMPORADA: 4 A 26 DE AGOSTO 2ª TEMPORADA: 14 DE SETEMBRO A 28 DE OUTUBRO Local: TUSP -Teatro da Universidade de São Paulo Endereço: Rua Maria Antonia, 294 Preço: R$ 20,00 (inteira) R$10,00 Duração: 3 h 15 minutos (195 minutos) Lotação: 136 lugares 14 anos.

(João Massaro)

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02/08/2007
Feliz dia dos pais... em 2032

Como será Sean Preston Spears, o filho de Britney Spears e Kevin Federline, daqui a 25 anos? Será que Suri Cruise, filha de Katie Holmes e Tom Cruise, será um jovem feliz? O Very Angry Neighbours, grupo americano formado por atores e roteiristas que produzem vídeos para internet, realizou uma ótima sátira de dois minutos e meio sobre o dia dos pais de filhos das celebridades em 2032. Além dos dois citados acima, o vídeo traz Shiloh Jolie-Pitt, a filha do casal Angelina Jolie e Brad Pitt; Rocco Ritchie, rebento da cantora Madonna com o cineasta Guy Ritchie; e uma surpresa, que não vale revelar. Aliás, qualquer coisa que eu disser a mais estragará o prazer e a graça de assistir a essa pequena obra de comédia. Confira o
vídeo e conheça melhor o acervo do VAN no site do grupo.

(Denerval Ferraro Jr.)

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31/07/2007
Gisele na fogueira das vaidades



Parece que Gisele Bündchen não largará tão cedo o posto da mais conhecida modelo do planeta. Depois de aparecer na revista americana Forbes como a top model mais bem paga do mundo (faturou U$ 33 milhões em doze meses, quase quatro vezes mais do que a inglesa Kate Moss), Bündchen volta à cena fashion em grande estilo: a modelo gaúcha estampa a capa da edição de setembro da prestigiada revista norte-americana Vanity Fair. A publicação faz uma homenagem ao Brasil – além das fotos de Gisele, clicadas pelo peruano Mario Testino, a edição traz ensaios de moda, feitos por Testino no Rio de Janeiro, com os novos “garotos e garotas de Ipanema”. Confira o
vídeo com o making of da sessão de fotos de Bündchen e um slide show da modelo.
A edição de setembro é uma das mais aguardadas da Vanity Fair, pois traz a lista dos homens e mulheres mais bem vestidos do mundo. Neste ano, a relação inclui a modelo Ivanka Trump (sim, filha do megaempresário Donald Trump), a atriz Renée Zellweger, o cantor Lenny Kravitz e o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Entre os casais, estão Angelina Jolie e Brad Pitt, David e Victoria Beckham e Demi Moore e Ashton Kutcher.

(Denerval Ferraro Jr.)

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31/07/2007


O cinema morre um pouco...






Profissão Repórter, de Antonioni


Persona, de Bergman

Dizer isso pode ser um chavão, mas as mortes de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, com diferença de um dia entre uma e outra, parece ser mesmo a mesma morte – e simbolizar a morte do cinema. Ou, pelo menos, do cinema que fez a cabeça do público intelectual e universitário dos anos 60 e 70. Para resumir num blog, podemos dizer que o sueco e o italiano exploraram os abismos do inconsciente e do desejo. As ferramentas dos dois variavam, mesmo que tenham usado a câmera. Bergman usou seu alto conhecimento em teatro – e, por conseguinte, nas nuances do drama. Persona (1966) é um resumo didático do diretor: conflitos indizíveis, diálogos e monólogos intermináveis, imagens e seqüências paradas e pasmosas. Antonioni foi um fotógrafo dotado de consciência crítica. Basta lembrar o longo plano-seqüência final de Profissão Repórter (1975), um pedaço de vida interior e exterior filmado sem cortes, uma obra-prima da imagem em movimento.
É estranho os dois formarem agora um díptico de cineastas típicos dos anos 60 mortos quase ao mesmo tempo. Puro acaso, mas pensar nisso é incontornável. Bergman, o dramaturgo, e Antonioni, o fotógrafo, cada um a seu estilo, deixaram sua contribuição à arte. Estavam meio fora de moda nestes dias de cinema de ação e efeitos especiais. Mas estar fora de moda, como morrer, é sempre uma questão de tempo.

(Luís Antônio Giron)

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Luís Antônio Giron
Editor de Cultura da Época. Jornalista, escritor e crítico. Doutor em Artes Cênicas pela USP, Mestre em Musicologia pela USP. Doutor e Mestre pela USP. Autor dos seguintes livros: Ensaio de Ponto (romance, 34, 1998), Mario Reis, o Fino do Samba (biografia, 34, 2001), Minoridade Crítica (ensaio de história cultural, Ediouro/Edusp, 2004), Até Nunca Mais POr Enquanto (contos, Record, 2004), Teatro Completo de Gonçalves Dias (edição, organização, estabelecimento de texto, ensaio introdutório), A Bacanal do Espírito: Gonçalves Dias Folhetinista (a sair pela Record), Crônicas reunidas de Gonçalves Dias (organização, ensaio introdutório, estabelecimento de texto, a sair pela Record).
 
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