23/07/2007 Último Harry Potter vende 11 milhões nos EUA e em Londres em 24 horas Harry Potter and the Deathly Hallows vira também sucesso nas livrarias brasileiras
J.K. Rowling no evento em Londres na madrugada de sábado
A febre para comprar o livro Harry Potter and the Deathly Hallows, sétimo e último volume da série iniciada em 1997 pela escritora inglesa J.K. Rowling, resultou em vendas recordes nas livrarias brasileiras no último fim de semana. As livrarias Cultura, da Vila e Fnac esgotaram seus estoques do livro. Em dois dias, a filial da livraria Cultura no Shopping Villa-Lobos, zona Oeste, vendeu 5 mil exemplares do romance. No evento de lançamento, na noite de sexta, dia 20, cerca de 500 pottermaníacos compareceram. Em Londres, as livrarias lotaram a partir da meia-noite de dia 21, comprovando o sucesso da heptalogia. Nos Estados Unidos, foram vendidos 8.3 milhões de exemplares em 24 horas, um recorde mundial, puxando as vendas dos volumes anteriores. Na Inglaterra, foram 3 milhões de livros no fim de semana. J.K. Rowling se reuniu com os fãs no Museu de História Natural de Londres (foto acima), num verdadeiro evento pop. Em Picadilly Circus, cerca de 7 mil crianças compareceram para um lançamento especial. O “vazamento” do livro e a revelação do final dos principais personagens não chegou a prejudicar a estratégia de lançamento. Época foi um dos primeiros veículos a divulgar o livro em seu site, já na terça-feira, dia 16. Os seis volumes anteriores venderam 325 milhões de exemplares e traduzido para 64 idiomas. (Luís Antônio Giron)
O músico francês Manu Chao volta com uma música depois de seis anos de silêncio. A canção se chama se chama “Rainin’ in Paradize”. O clipe pode ser visto acima. Foi gravado em Buenos Aires, com direção do cineasta sérvio Emir Kusturica. “Rainin’ in Paradize” é um rock latino turbulento, com palavras-de-ordem contra o estado de guerra em que o mundo mergulhou no início deste século. Uma música bem do estilo militante de Chao. É, por assim dizer, uma canção de protesto. Ela é a ponta-de-lança do novo CD de Chao, La Raiolina, a ser lançado em 4 de setembro pela Warner. Os saudosos da virada do século estão esperando o resto com ansiedade. Para quem não lembra ou bnem conhece, Manu Chao despontou ficou perdido no fim do século XX como a promessa musical que mudaria o pop. Os saudosos do Verão do Amor de 1998 (isso foi só na Europa) vão lembrar comigo que Manu Chao sintetizava o tempo, era o Zeitgeist finimilenar. Lembra do Bug do Milênio, da Bolha da Internet e do Movimento Antiglobalização? Tudo isso ficou para trás, passou de moda, como a grande música de Manu Chao. Seu primeiro CD solo (ele era da banda Mano Negra), Clandestino, saiu em 1998 com enorme sucesso. Hoje sua música está fora de moda por ser engajada, por conter a sujeira do mundo, num tempo em que só vale a segunda vida virtual. Manu Chao foi uma promessa que ficou no ar de um tempo que passou. É o Bug do Milênio na música: ameaçou e não aconteceu. Mas, direfentemente do bug, Chao ainda empolga. (Luís Antônio Giron)
O livro Harry Potter and the Deathly Hallows (HP e as Relíquias Mortais), sétimo e derradeiro da série lançada pela escritora inglesa J.K. Rowling em 1997, chega hoje às mãos dos fãs na versão integral em papel. Apesar de algumas cópias do livro terem vazado na internet, a ansiedade continuou entre os fãs. Afinal, mesmo os estraga-prazeres não conseguiram ter tempo para revelar todos os segredos. Um romance de quase 800 páginas precisa ser degustado, lido com prazer, e não violado por curiosos impenitentes. Época revelou para os leitores alguns segredos de polichinelo – ressalvando o direito de saltar o parágrafo que informava esses detalhes. Eu vou ler o livro neste fim de semana com grande curiosidade, apesar de já saber o final. O tão discutido final. O que fica da heptalogia? Acho que J.K. Rowling trouxe de novo para a literatura de horror e fantasia. Ela realizou uma façanha invejável: recobrar o status literário da ficção “infanto-juvenil” e fazê-la ganhar espaço em áreas em que ela estava desprezada. Para isso, acompanhou o crescimento dos personagens e de seus leitores. Harry e amigos começam a aventura com 11 anos e a encerram com 18 anos, ou seja, percorrem um trajeto que vai da infância à primeira fase da idade adulta, passando pela adolescência. Ora, essa evolução que o público fiel a Harry seguiu, crescendo, também foi acompanhada pela autora. J.K. Rowling alterou os registros da narrativa à medida que a história se desenvolvia. A primeira aventura do bruxo tem um tom seco e infantil, à maneira de, digamos, as fábulas dos Irmãos Grimm. As três últimas histórias já se parecem com romances de horror de Edgar Allan Poe ou contos góticos de Mary Shelley. O grande achado literário, interno, de J.K. Rowling, sem mencionar os mercadológicos, foi elevar o registro da narração infanto-juvenil até tocar a novela fantástica. Isso num processo vagaroso, como o de amadurecer. (Luís Antônio Giron)
Sozinho no palco do Teatro Jaraguá, em São Paulo, o ator Leopoldo Pacheco encena, até dia 29 de julho, a peça A Javanesa, nome que vem da música “La Javanaise”, sucesso do cantor francês Serge Gainsbourg. Pacheco interpreta os dois lados de um casal: ele, um homem de certezas, e ela, a mulher que deixa a vida acontecer, e não dá as respostas que ele tanto quer ouvir.
Tudo começa quando ele a vê comprando Saudades, um tipo de flor que não poderia ter nome melhor dentro da história. Ela não quer dizer quem é, só canta o tempo todo “La Javanaise”, o que o faz chamá-la de Javanesa. Para ela, “tanto faz” (expressão que repete incansavelmente) o que vai acontecer, se vão ou não se encontrar novamente, se ele gosta mesmo dela, ou se o amor que sentem um pelo outro vai durar para sempre. Esse desencontro de personalidades faz com que a saudade esteja presente em todos os momentos, para sempre.
Depois de sumir diversas vezes, a Javanesa desaparece uma última vez, e só volta 30 anos mais tarde. O encontro, depois de tanto tempo, mostra que a saudade permaneceu, mesmo que os erros cometidos no passado tragam certo rancor, e apareçam numa discussão que, para ela, “tanto faz” acontecer.
A simplicidade do texto é acompanhada por um cenário feito apenas com um tapete vermelho, uma cadeira de palha, e uma parede de papel-arroz amassado. A luz muda de cor o tempo todo, trazendo ao cenário os humores das personagens, e um bom jogo de sombras literalmente transforma Pacheco em dois, tendo sua imagem projetada nos dois lados do palco, quando o casal finalmente se reencontra.
O ator consegue viver as duas personagens com clareza, despindo-se de trejeitos que poderiam encobrir a importância dos diálogos do texto. Um dos momentos mais curiosos da peça é quando ela, a Javanesa, ganha voz, e mostra que não é a pessoa dura e confusa que ele descrevera anteriormente. Ela se revela uma pessoa livre, despreocupada, e de uma alegria melancólica e cativante.
Diversas versões de “La Javanaise” tocam ao longo do espetáculo, principalmente uma das mais famosas, interpretada pela cantora Jane Birkin. Ela serve para mostrar a nostalgia das lembranças que guardamos com o tempo, e simboliza os sentimentos que nunca somem das nossas memórias. No final, tudo se torna saudades.
17/07/2007 Fim de Harry Potter é de menor importâcia
Não tenho muito problema com finais de livros. Sei que Madame Bovary e Cristo morrem no final (este ressuscita, mas na seqüência...), sei que, em Dom Casmurro, Bentinho não tem dúvida de que Capitu o traiu, embora o narrador inculque a dúvida para sempre no leitor etc. Agora sei que a surpresa final de Harry Potter é que ele cresceu, é um trintã, casado com Ginna e pai de três filhos: James, Albus Severus e Lilly. Ele cumpre na série o destino da próprio autora, J.K. Rowling. Harry adulato é a conseqüencia natural e esperada da história. Não poderia ser diferente. Uma criança que cresce, mas mantém o espírito de fantasia por meio de seus livros. Igualzinho a J.K. Rowling, que, como Potter, aniversaria em 31 de julho. Os estraga-prazeres (spoilers) são uns chatos, mas estão fazendo a pirataria típica da internet hoje. Não há mais como controlar informação no mundo da política ou dos espetáculos. Vou ler o Harry Potter and the Deathly Hallows confortavelmente numa edição bonita da Bloomsbury, quando puder comprá-la. Sei do final feliz, mas isso, francamente, não me interessa. O que interessa é folhear o livro, não vencer as páginas roubadas da internet. (Luís Antônio Giron)
Editor de Cultura da Época. Jornalista, escritor e crítico. Doutor em Artes Cênicas pela USP, Mestre em Musicologia pela USP. Doutor e Mestre pela USP. Autor dos seguintes livros: Ensaio de Ponto (romance, 34, 1998), Mario Reis, o Fino do Samba (biografia, 34, 2001), Minoridade Crítica (ensaio de história cultural, Ediouro/Edusp, 2004), Até Nunca Mais POr Enquanto (contos, Record, 2004), Teatro Completo de Gonçalves Dias (edição, organização, estabelecimento de texto, ensaio introdutório), A Bacanal do Espírito: Gonçalves Dias Folhetinista (a sair pela Record), Crônicas reunidas de Gonçalves Dias (organização, ensaio introdutório, estabelecimento de texto, a sair pela Record).