15/07/2007
Bunda é promovida a executiva da CNN



A experiente jornalista Susan Bunda acaba de ser promovida Presidenta de Desenvolvimento e Estratégia da CNN Internacional. Na sua nova posição, segundo informa a assessoria de imprensa da rede de TV, Bunda terá novos desafios, como o desenvolvimento de palataformas para consumidores e o incentivo a novos talentos jornalísticos. Com 20 anos de experiência, Bunda também deve trabalhar na integração da televisão e da internet.

Comentários Comentários () > Link da nota

14/07/2007
O encanto de Harry está terminando...





Eu me pergunto o que os potterofrênicos gostam mais, o livro ou o filme. O filme Harry Potter e a Ordem da Fênix teve abertura recorde no Brasil. Estreou na quarta-feira, dia 11 de julho, com público de 404 mil espectadores. Só no Brasil a renda foi de R$ 2,86 milhões. Segundo a Warner, é a maior abertura dos últimos tempos e superou blockbusters como Código da Vinci (124 mil), Harry Potter e o Cálice de Fogo (71 mil) e Homem-Aranha 3 (64 mil). Mundilamente, até sexta, 13, já tinha atingido a bilheteria de US$73,432 milhões. Uma abertura boa, até porque o orçamento do final do filme foi de US$ 150 milhões.
Talvez o sucesso faça parte do pacote suspense, por causa do lançamento de Harry Potter and the Deathly Hallows, em 21 de julho. Minha impressão, porém, é de que o filme é naturalmente mais popular que o livro. O público identifica Harry com Daniel Radcliffe e os outros personagens com os seus atores. Na minha opinião, o interesse real de Harry é mais a história do que a experiência da letura. Daí os pottermaníacos ficarem só pensando se o herói vai morrer ou não, se Dumbledore volta etc. etc. Acho esse tipo de discussão inútil. Os “spoilers” vencem sempre nesse embate.
Eu li os livros de J.K. Rowling ao longo dos anos e não acho nada genial, é uma narrativa de fórmulas fixas e bem linear. Mas é uma obra interessante, literariamente boa, em crescente dose de gótico. O filme oscila entre a banalidade e os achados visuais.
A partir de 21 de julho, a magia do mistério vai se desfazer e aí vamos ver o que acontecerá com os filmes. A heptalogia de J.K. Rowling vai virar um clássico, como Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien. Quem, em sã consciência adulta, consegue ler Tolkien sem rir? Os leitores vão crescer e olhar para trás, provavelmente achando graça do tempo em que eram maníacos por Potter.

(Luís Antônio Giron)

Comentários Comentários () > Link da nota

11/07/2007
Transformers é blockbuster, mas crítica arrasa filme






A química entre público e crítica é incompatível mesmo. O filme Transformers bateu o recorde do ano em bilheteria nos Estados Unidos. É o blockbuster do verão. A arrecadação doméstica em seis dias foi de 165,333 milhões de dólares, e 97 milhões na internacional. Um total de 262,5 milhões de dólares. Isso significa que o filme já se pagou. Ele custou à Paramount/DreamWorks 150 milhões de dólares. Em compensação, a crítica caiu matando no filme dirigido por Michael Bay e produzido por Steven Spielberg. “Chatice bombástica”, definiu Scott Holleran do site Movie Review. Manohla Dargis, do The New York Times, definiu o filme como um épico feito de barulho e absurdos. Para Jay Weissberg, a revista Variety, Michael Bay e Spielberg criaram um caça-níqueis para atrair meninos de 8 anos, que ainda gostam das miniaturas Transformers, mistura de carros e robôs (autobots, ou carrobôs, numa tradução que soaria bem no Brasil) lançada no Japão em 1984. E por aí vai.
Assisti ao filme numa junket em Londres promovida pela Paramount e devo dizer que fiquei dividido entre os dois lados da moeda da recepção. Achei o filme divertido pela atuação de Shia LaBoeuf, no papel de Sam Witwicky, um típico menino Beta, o perdedor das escolas do interior dos Estados Unidos. Shia é o favorito de Spielberg e atua em Indiana Jones IV, como assistente do herói interpretado por Harrison Ford. Shia tem 21 anos, é divertido e espontâneo. A Vanity Fair fez uma capa com ele. Sua atuação traz à tona a inocência de heróis do passado de Spielberg. Isso é bom no filme. Gostei também das cenas de ação e transformação. Meu lado garoto adorou a pipoca, que me lembrou os tempos das séries de TV japonesas cheias desse tipo de luta de monstrengos.
Mas, no fundo, debaixo das correrias e batalhas entre robôs gigantes, funciona uma mentalidade militarista e predatória. Há o Bem, os robôs bonzinhos, e o Mal, os robôs malvados. Ambos vêm do espaço sidera. Esta seria a única forma de unir a humanidade em guerra permanente? Seja como for, trata-se de um dos raros filmes rodados nas instalações do Pentágono. No final, fiquei o estômago um pouco revirado. O filme estréia dia 20 de julho no Brasil. Com tanto menino sem o que fazer por aí por causa das férias, deve virar por aqui sucesso de público e fracasso de crítica.

(Luís Antônio Giron )

Dê uma espiada no trailer. É pura exaltação!


Comentários Comentários () > Link da nota

11/07/2007
Sábado de protestos e de um Coetzee gelado



Contra a censura...
Saiu do campo das idéias a moção de repúdio contra a proibição da venda do livro "Roberto Carlos em detalhes", do historiador Paulo César Araújo, citada aqui na sexta-feira. Na prática, ficou com o nome mais agradável de "em defesa da liberdade de expressão".

... e outros protestos
Dando corda para o clima de reivindicações que tomou conta da Flip, as ruas de Paraty foram ocupadas hoje por dois grupos de manifestantes, com duas causas distintas.

O primeiro, mais ligado à Flip, foi dos funcionários públicos da Cultura, em greve desde 15 de maio por salários e melhores condições de trabalho. Saíram com capas e capuzes pretos, marchando lentamente segurando falsas velas. O ritmo fúnebre era marcado por um surdo, como nos enterros de grandes autoridades aqui e em alguns lugares no mundo. Ontem, a cidade teve uma grande festa à fantasia – Paraty ficou cheia de diabinhas, bombeiros, arlequins, fadas... – e, aos mais desavisados, tudo parecia uma continuação do clima de folia. Ledo engano.

A outra foi bem diferente. Moradores de distritos remotos do município levaram faixas e gritos de guerra às ruas em protesto contra a falta de luz em suas comunidades, a maioria de caiçaras. Aproveitaram o burburinho da cidade para lutar por sua causa, mais do que justa. Não obtiveram a atenção de muita gente.

À noite, talvez por olho gordo desses últimos manifestantes, um gerador bem no centro da cidade explodiu por três vezes – sem feridos – e a cidade inteira apagou por cerca de uma hora. E bem antes da aguardadíssima palestra do "Nobel" J. M. Cotzee. Apesar do susto, as duas tendas da feira têm geradores próprios e nada aconteceu.

Comentários Comentários () > Link da nota

11/07/2007
A melhor palestra que não houve
Os jornalistas Lawrence Wright e Robert Fisk fizeram o melhor bate-papo do dia, sobre a cobertura das guerras do mundo e sua transcrição nas páginas de livros de sucesso. O único porém foi um gostinho de "quero mais", definido com precisão pela mediadora da mesa, a jornalista Dorrit Harazim:

- A única pena é de não termos tido uma mesa com vocês dois, Amós Oz e Nadine Gordimer, juntos.

Trata-se do melhor que tivemos ontem com o melhor que tivemos hoje, e todos ligados direta ou indiretamente, pessoalmente ou em sua literatura, aos intermináveis conflitos no Oriente Médio.

Frieza e talento
A maior estrela da edição deste ano da Flip, J. M. Cotzee (vencedor do Nobel de Literatura de 2003 e único no mundo a vencer dois prêmios Booker Prize) foi o único a se apresentar sozinho. Entrou, leu trechos de seu novo e ainda inédito livro, "Diário de um ano ruim", e saiu sem dizer nem uma palavra a mais do que o necessário. Não deu entrevistas a ninguém. Não chegou a ser uma surpresa negativa, porque era isso mesmo que constava em qualquer programa da feira. Surpresa seria alguma demonstração de carinho com o público.

Abaixo, para os fãs mais afoitos, os dois primeiros parágrafos de "Diário de um ano ruim".

"OPINIÕES FORTES:

13. Do corpo.

Falamos do cachorro com a pata machucada e do pombo de asa quebrada. Mas o cachorro não pensa em si mesmo nesses termos, nem o pássaro. Para o cachorro, quando ele tenta andar, existe apenas Sou dor; para o pássaro, quando ele se lança em vôo, simplesmente Não consigo.

Conosco parece ser diferente. O fato de existirem expressões tão comuns quanto "minha perna", "meu olho", "meu cérebro" e mesmo "meu corpo" sugere que acreditamos que exista alguma entidade não-material, talvez irreal, que mantém uma relação de possuidor/possuído no que se refere às "partes" do corpo e mesmo ao corpo todo. Ou então a existência dessas expressões mostra que a linguagem não encontra um ponto de apoio, não consegue se desenvolver enquanto não tiver fracionado a unidade da experiência."

Alem desse capítulo, apenas iniciado aí em cima, outros nove foram lidos por um Cotzee estático. Mesmo não acostumado com isso – aqui é incomum termos autores apresentando seus livros em leituras públicas – o público aplaudiu de pé. E fez a maior fila de autógrafos desta quinta edição da feira, até agora.

Comentários Comentários () > Link da nota

11/07/2007
Enciclopédia sem fim e sem começo



Nem bem saiu, a Enciclopédia Eletrônica do Itaú Cultural já foi criticada. Em seu blog Todo Prosa, no site No mínimo (desde que o No Mínimo terminou, em 29 de junho, está no endereço
http://www.todoprosa.com.br/), Sérgio Rodrigues chamou a atenção para as lacunas da obra. Anunciando a intenção de ser precisa, intertextual, multidisciplinar e ampla, de cara apresentou inconsistências em sua amplitude e interesse como obra de referência. Nomes de escritores de gerações mais novas, como Ivana Arruda Leite, Bernardo Carvalho e Daniel Galera (sem entrar no mérito da qualidade da produção de cada um) foram incorporados aos 107 verbetes iniciais antes mesmo de canônicos, como Mário de Andrade, e até de best-sellers, como Carlos Drummond de Andrade e Jorge Amado.

Ainda que sua proposta seja de atualização constante, pode-se dizer que a enciclopédia tem mais planos que verbetes. É o que o Mente Aberta constatou ao conversar, logo depois de seu lançamento, em 5 de junho, com o gerente da área de literatura do Itaú Cultural, Claudinei Ferreira. De lá para cá a enciclopédia acrescentou 13 novos verbetes, entre eles, o de Clarice Lispector. Claudinei afirma que serão acrescentados 20 verbetes ao mês. E que, logo que foi lançada, a obra virtual gerou celeuma. Houve até manifestações de escritores: 12 e-mails, entre os quais os de dois futuros agraciados com citações.

Todas as críticas não chegaram a alterar os planos de atualização da enciclopédia, que ainda pretende linkar para acervos online, de universidades e de bibliotecas, além de incluir parte das 500 horas de vídeos do acervo do próprio Itaú Cultural. E mais. Ferreira fala em abarcar todos os temas, gêneros, fenômenos e eventos literários, da ficção científica e literatura infantil à produção gráfica e polêmicas literárias. A intenção é ótima. Uma breve navegada, contudo, mostra a seção “lugares” vazia e a “idéias” com apenas dois textos.

“Se eu tivesse talvez só uma enciclopédia de literatura brasileira, mais nada, eu ia pensar duas vezes em colocar ela do jeito que ela está”, explica Ferreira, afirmando que o que justifica sua existência é seu diálogo e links com as demais enciclopédias virtuais da instituição. “O que a gente quer mostrar, e isso as pessoas não percebem, é que nenhuma pesquisa se esgota na nossa enciclopédia.”

É sempre bom lembrar que esse é um projeto que conta com o financiamento da Lei Rouanet de incentivo à Cultura (mecanismo de patrocínio que permite que as empresas apliquem recursos e deduzam do imposto de renda) e que, ainda que se planeje contínua, os pesquisadores envolvidos foram reduzidos de oito para cinco.

A julgar pela equipe e pelo ritmo de atualizações anunciado, vai demorar para que ela chegue a números considerados enciclopédicos, como o de um Dicionário de Música Popular Brasileira Cravo Albin, com 5322 verbetes. Se a enciclopédia não tem fim, parece que carece também de delimitar um começo.

Veja algumas das respostas de Claudinei Ferreira ao Mente Aberta:

Mente Aberta - Foram apenas 107 nomes na enciclopédia lançada. Quais os critérios de escolha?
Claudinei Ferreira - Falar de uma enciclopédia virtual é falar de construção de conhecimento na rede com ferramentas eletrônicas. Essa enciclopédia me permite que eu coloque 107 hoje e que, na terça feira, eu tenha 120 (uma semana depois da entrevista a enciclopédia apresentava 111 registros, ou seja, 4 a mais. Hoje, um mês depois, tem 118).

Mente Aberta - Mas não é perigoso para algum estudante que esteja fazendo uma pesquisa acadêmica, escolar, ter esse número de verbetes?
Ferreira - Não, porque você pesquisa aqueles nomes, se não encontrar, você pesquisa outra fonte, como em uma enciclopédia de papel. Eu não estou dizendo ali que aqueles são os principais nomes da literatura brasileira.

Mente Aberta - Mas você acha que não há uma priorização pelo fato de eles estarem na edição lançada?
Ferreira - Os nomes são só uma parte da edição da enciclopédia.

Mente Aberta - Mas as outras partes não contêm verbetes, segundo consultamos. A parte de definições tem apenas cinco textos (e hoje ainda está assim).
Ferreira - O trabalho de construção da enciclopédia não acaba nunca mais. Entre você ter esse material, não publicar ou publicar, houve uma decisão de publicar.

Mente Aberta - E por que decidiram publicar?
Ferreira - É um conjunto de coisas. Estamos lançando o novo site, realizamos um encontro com cerca de 70 pessoas da área de literatura, escritores, críticos, pesquisadores acadêmicos, naqueles quatro dias do “Encontros de Interrogação”...

Mente Aberta - Mas eles tiveram influência na confecção da enciclopédia?
Ferreira - Não, é uma atividade ligada à literatura. É uma sinergia de atividades. Por quê? Isso é o mais importante, porque eu só fui infelizmente descobrir esse pensamento do Borges depois: uma enciclopédia de literatura não é um conjunto de nomes. Isso não é uma enciclopédia.

Mente Aberta - E o que é uma enciclopédia?
Ferreira - O Borges diz que de todas as enciclopédias de literatura que ele conhecia no mundo inteiro, nenhuma era digna desse nome, porque eram apenas conjuntos de verbetes com esse nome. No fundo, e é isso que vamos aperfeiçoar, o mais importante é o vida literária (nota do Mente Aberta: que não apresenta ainda mais que nove verbetes), porque são de eventos como polêmicas, espaços onde a literatura se produziu, sobre a histórias das tecnologias influenciando a produção da literatura.

Mente Aberta - Mas ela também tem poucos verbetes.
Ferreira - Sim, mas isso é hoje. Daqui um mês é outra coisa, daqui dois meses é outra. Isso é a construção do pensamento, da memória dentro da rede.

Mente Aberta - Mas se são 107 os que estão hoje e vocês já tinham 60, isso significa que vocês fizeram 37 nomes?
Ferreira - Não, nós pegamos aqueles nomes. O verbete é completamente diferente, tem outro padrão.

Mente Aberta - E o que vocês priorizam nesse padrão? Como ele é feito?
Ferreira - Ele é feito por uma equipe de pesquisadores a partir dos nomes de consultores que selecionam os nomes e temas.

Mente Aberta - Quantos são os pesquisadores?
Ferreira - São oito pesquisadores. Agora que a enciclopédia já está no ar, ficaremos com menos. Pelo menos uns 20 verbetes de nomes já estão prontos, mas estamos fazendo a checagem de dados.

Mente Aberta - Mas já que ela vai ser útil também fora do país, não há um perigo em lançá-la omitindo tantos nomes essenciais da história da literatura brasileira?
Ferreira - Então me diga uma enciclopédia que tenha todos os verbetes sobre seu tema. Tire ela do ar. Para a informação da literatura brasileira, é melhor ou pior ela estar no ar? O jeito que construímos o conhecimento na internet é diferente de uma enciclopédia de 36 volumes. Se morrer um daqueles caras hoje, daqui a uma hora a informação está no ar, na enciclopédia. Você pode atualizá-la. Isso é bom que exista ou não é bom?

Mente Aberta - E qual você acha que vai ser o tempo de construção da enciclopédia?
Ferreira - Pro resto da vida. Você pode estar falando de nomes que você quer, eu posso citar nomes que não te interessam, quem é que determina isso?

Mente Aberta - E até o fim do ano vocês vão ter quantos registros?
Ferreira - Não interessa. O que me interessa é mostrar a complexidade da literatura brasileira.

Mente Aberta - Mas se ela é tão complexa, ela é quantitativamente complexa, não? E ela tem hoje 107 registros.
Ferreira - Beatriz Resende (professora de Literatura Comparada e Teoria Literária da Faculdade de Letras da UFRJ) esteve aqui no sábado - e ela é a Beatriz Resende! - e disse: a opção de vocês é em princípio do risco mas é a mais acertada. Porque tem informações lá que não tem em nenhum outro lugar. Aliás, eu perguntei a todos que criticaram qual a outra enciclopédia virtual de literatura que existe e ninguém responde.

Mente Aberta - E vocês pretendem ser?
Ferreira - E vamos ser, não é que eu pretendo.

Mente Aberta - Mas quando?
Ferreira - Não tem quando.

Mente Aberta - Mas o leitor quer saber quando é que poderá acessar um número representativo de nomes.
Ferreira - Que leitor? O que lê os clássicos? Daqui a três meses. Mas isso me importa? Não! Eu quero saber quando eu vou atender o leitor de ficção científica, o tradutor...

Mente Aberta - E, a cada um deles, quando você vai atender?
Ferreira - Eu já estou atendendo, porque todos estão apontados lá.

Mente Aberta - Se a sua filha de 13 anos virasse para você e falasse que entrou na enciclopédia, dissessse que não achou determinado verbete e perguntasse o porquê, o que você responderia?
Ferreira - O que eu diria para ela é: filha, você tem que compreender, a partir de agora, que a enciclopédia virtual é outro modelo. Ela não é a única fonte de informação sobre literatura brasileira.

(Laila Abou Mahmoud)

Comentários Comentários () > Link da nota

10/07/2007
Uma sexta-feira de simplicidade, protestos e mistérios revelados na Flip



A melhor palestra do dia, em uma frase
De um espectador, depois de sair do encontro entre Nadine Gordimer e Amós Oz, a última e melhor palestra do dia.

- Agora eu sei o que acontece quando um prêmio Nobel e um prêmio Príncipe de Astúrias se encontram.

Dois amigos de dez anos, pessoas brilhantes, que se entregaram ao público sem o pedantismo de alguns figurões estrangeiros que passaram aqui pelo balneário. Resultado: um belo e despretensioso bate-papo sobre escrever livros. Os primeiros a serem aplaudidos de pé.

Manhã panfletária
A mesa entre os biografistas Fernando Morais (Olga, Chatô), Ruy Castro (Carmen Miranda, Garrincha) e Paulo César Araújo (Roberto Carlos) virou uma manifestação em defesa deste último, contra o recolhimento da biografia do Rei das livrarias brasileiras. Uma bola levantada pela organização da Flip com efeito bastante previsível. Com direito até a lágrimas emocionadas, quando Paulo César falou sobre a dedicatória de seu livro, algo como "Para minha filha ler quando crescer".

No fim, um espectador propôs por escrito que se faça um abaixo assinado na Flip, uma espécie de nota de repúdio contra a censura ao livro "Roberto Carlos em detalhes". A proposta teve apoio de todos na mesa, e foi tremendamente aplaudida. Mesmo se não sair do campo das idéias (o que é bastante provável), foi uma manifestação interessante.

Como acontece ao fim de todas as palestras da Flip, os autores receberam o público para autografar livros. Paulo César, por motivos óbvios, não.

Mistério desvendado
Num bate-papo morno e mal mediado entre Dennis Lehane e Guilhermo Arriaga, a melhor tirada foi o resultado da última pergunta, de um espectador, a Arriaga.

- Pelo amor de Deus! Conte para nós o que estava escrito naquele bilhete que a garota japonesa entrega ao inspetor de polícia!

Trata-se de uma cena do filme Babel, roteirizado por Arriaga. De pronto, e sem rir, ele concordou em revelar o mistério.

- Vou dizer o que estava escrito lá: Awwwiiiiuá reiiwaaaaneeeee aiuéééériii (em suposto japonês).

(Rafael Pereira)


Comentários Comentários () > Link da nota

 
Luís Antônio Giron
Editor de Cultura da Época. Jornalista, escritor e crítico. Doutor em Artes Cênicas pela USP, Mestre em Musicologia pela USP. Doutor e Mestre pela USP. Autor dos seguintes livros: Ensaio de Ponto (romance, 34, 1998), Mario Reis, o Fino do Samba (biografia, 34, 2001), Minoridade Crítica (ensaio de história cultural, Ediouro/Edusp, 2004), Até Nunca Mais POr Enquanto (contos, Record, 2004), Teatro Completo de Gonçalves Dias (edição, organização, estabelecimento de texto, ensaio introdutório), A Bacanal do Espírito: Gonçalves Dias Folhetinista (a sair pela Record), Crônicas reunidas de Gonçalves Dias (organização, ensaio introdutório, estabelecimento de texto, a sair pela Record).
 
  07/08/2007 - 14/08/2007 31/07/2007 - 07/08/2007 24/07/2007 - 31/07/2007 17/07/2007 - 24/07/2007 10/07/2007 - 17/07/2007 03/07/2007 - 10/07/2007 26/06/2007 - 03/07/2007 19/06/2007 - 26/06/2007 12/06/2007 - 19/06/2007 05/06/2007 - 12/06/2007 29/05/2007 - 05/06/2007 22/05/2007 - 29/05/2007 15/05/2007 - 22/05/2007
 
 

imbd.com
oscar.com
google.com.br/books
dominiopublico.gov.br
dicionariompb.com.br
archive.org
gutenberg.org
billboard.com
groningen.ebuddy.com
rollingstone.com

 
 
         
 
Copyright © 2007 - As mensagens postadas na seção reservada aos comentários são de responsabilidade única e exclusiva de seus autores.