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12/06/2007
Veja-se na Pedra do Reino

Qual a identidade brasileira? Esta questão assombra nossa intelectualidade há séculos. É difícil responder, diante de uma realidade multicultural, e isso desde o início daquilo que se entende por nativismo e nação. Pois é esta a pergunta que inflama a musa de Ariano Suassuna. Aos 80 anos, o escritor paraibano virou uma espécie de folclore da resistência nativista. Ele apareceu no Fantástico pulando e fazendo gestos teatrais. E agora está em moda com a microssérie da TV Globo A Pedra do Reino. Dirigida por Luiz Fernando Carvalho, a série se baseia no romance homônimo de Suassuna, lançado em 1971 pela editora José Olympio. O “romance armorial”, como o define Suasuna, permaneceu até agora meio escondido, mas deve passar da quinta edição com a exposição na televisão. Isso porque Luiz Fernando Carvalho conseguiu traduzir as aventuras ibéricas e heráldicas do personagem Quaderna – monarquista de esquerda, alter ego do romancista - em um festival barroco de formas inesperadas. Até agora, o que se viu na televisão foi o estereótipo do sertanejo nordestino. Pedra do Reino revela um Sertão desconhecido, com um visual riquíssimo, que remete às festas medievais. Como diz Quaderna em um dos últimos episódios dessa série magnífica, é possível enxergar lindas paisagens, luxo e refulgência nas manifestações de um povo em andrajos, rastejando pelo semi-árido. Finalmente o público brasileiro terá acesso à imaginação exaltada de Suassuna. Uma imaginação que subverte a imagem miserável do nordestino. E do brasileiro, fruto de uma mistura cultural irresistível.
Visite o site da série:
http://quadrante.globo.com/Pedradoreino/upload/main.html
Vale dar uma olhada na matéria do Fantástico:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM687188-7823-A+PEDRA+DO+REINO+CHEGA+A+TV,00.html
(Luís Antônio Giron) |
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11/06/2007
Parada Gay é a micareta de São Paulo
 Em sua 11ª edição, a Parada do Orgulho Gay (ou GLBT, de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros, para ser mais completo) reuniu em São Paulo, dia 10, mais de 3 milhões de pessoas entre a avenida Paulista e a praça Roosevelt. A manifestação continua a ser a maior deste gênero, em todo o planeta, e o evento que mais atrai turistas à capital paulista, gerando negócios de R$ 180 milhões. O gigantismo do evento tem duas leituras. A primeira, mais óbvia, é política: mais e mais gays brasileiros mostram a cara, ajudando a promover a visibilidade das minorias sexuais e, oxalá, a igualdade social. Foi para isso que o Gay Pride nasceu em Nova York, há 38 anos. Milhões de pessoas formando pares do mesmo sexo e se beijando à luz do dia na avenida Paulista é uma mensagem forte demais para ser ignorada. Já a segunda leitura aponta uma tendência: a parada de São Paulo está se carnavalizando. E o modelo não vem dos glamourosos desfiles de escola de samba no Rio de Janeiro. O carnaval gay paulistano se parece cada vez mais com o circuito de trios elétricos de Salvador. Na capital baiana, os que compram os abadás seguem seu trio preferido protegidos pelas cordas, enquanto a massa, vulgo “pipoca”, se diverte pulando ao redor. A festa dos que não pagam tem seu preço: não raro os foliões da “pipoca” são espremidos pela multidão, sofrem furtos, fogem de brigas, são bolinados ou viram alvo da micção alheia. Já na micareta promovida pela parada gay de São Paulo, quase todos 3 milhões de pessoas ficam na “pipoca” e as cordas apenas servem para isolar os caminhões que trazem os trios (23, neste ano). Alguns privilegiados conseguem seu lugar ao sol em cima dos trios elétricos. Eles não têm abadá nem pagam para estar ali. Por enquanto. Ficam ali, entre drag queens, gogo boys e celebridades de constelações distintas, como Gretchen, Cristiane Torloni, Alexandre Frota e, vá lá, Marta Suplicy (sim, entre os gays ela é uma celebridade). Longe, portanto, dos perigos da aglomeração – este ano, a polícia e os postos médicos registram um aumento de ocorrências como agressões físicas e roubos. Por outro lado, as manifestações mais tradicionais do, digamos, espírito gay arrefeceram este ano. Com a exceção de quatro carros mais inspirados, a decoração dos trios elétricos era tímida, quase sempre limitada a faixas com a indefectível bandeira do arco-íris. Entre os que desfilavam, havia, como sempre, os fantasiados, mas em número visivelmente menor do que nas edições anteriores – ou diluídos pela multidão de “civis”. Até as drag queens pareciam mais tímidas em número e manifestações. A exceção coube aos travestis: como todos os anos, aproveitaram a luz do dia para esfregar os peitos siliconados e desnudos na cara da sociedade que tenta empurrá-los para os guetos noturnos. Atitude política ou puro despudor? Com a palavra, o leitor. (Denerval Ferraro Jr.) |
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11/06/2007
CSS encanta Fall Out Boy  Patrick Stump, vocalista, guitarrista e compositor da banda Fall Out Boy, falou hoje para a seção “O que você está ouvindo” do blog da revista Rolling Stone. Diz ele: - “O disco do Cansei de Ser Sexy é fantástico. Sete garotas brasileiras gostosas cantando músicas dançantes hilárias”. Estreitam-se ainda mais os laços entre as moças lideradas por Lovefoxxx e os maiores do showbizz internacional. E olhem Lovefoxxx, em turnê pela Europa, já namora o guitarrista do Klaxons, o grupo de rock inglês do momento. Vai longe!
(Marcelo Zorzanelli) |
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09/06/2007
Barrados nas rádios online
Nem tudo é boa notícia na internet. Hà um mês, o site americano Pandora (www.pandora.com) vedou o acesso dos internautas não-americanos. Pandora é o mais interessante site de rádio pela internet, pois dá acesso a arquivos sonors de alta qualidade técnica e artística, além de oferecer podcasts com verdadeiras oficinas de música. Pela Pandora, você pode (ou podia) montar uma ou várias rádios com programação personalizada, só com o tipo de música ou intérprete desejado. Uma maravilha. Mas... Quando você clica no endereço, aparece uma mensagem do fundador do site, Tim Westergren, pedindo desculpas aos brasileiros pelo transtorno. “Estamos consternados em dizer que, devido a exigências de licenciamento, não nos será permitido mais proporcionar o acesso de Pandora à maioria dos ouvintes fora dos Estados Unidos”, afirma Westergren. “ Vamos continuar a trabahar diligentemente para realiar a visão de uma Pandora verdadeiramente global, mas por eqnaunto somos isntruídos a restringir o uso. Estamos tristes, mas não há outra alternativa”. . A proibição da Pandora no exterior significa o avanço da indústria da música sobre a internet. Claro que há muita pirataria rolando, mas Pandora é um projeto democrático, semelhante ao que o Gutenberg Project faz com o livro. Mas música é um assunto mais complicado. As estações personalizadas formam uma tendência na internet 2.0. Por enquanto, dominam as rádios normais em streaming, acessíveis pela internet. Mas, fuçando um pouco, é possível ainda montar rádios pessoais em sites como o que cito abaixo. Não há política capaz de restringir a liberdade de expressão, não custa repetir. Rádio pessoal é o canal.
https://www.last.fm http://www.blogtalkradio.com http://music.yahoo.com/launchcast
(Luís Antônio Giron) |
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07/06/2007
O mundo de nossos filhos
Estréia neste domingo (10), no Fantástico, a série O Mundo de Valentina. Valentina ainda não nasceu. Vem ao mundo no mês que vem e é filha do jornalista Gabriel Moojen, de 36 anos, e da modelo Francielle Zanon, 27 (foto acima). O pai, preocupado com os recém-divulgados relatórios internacionais do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), que apresentam previsões catastróficas para o planeta, resolveu fazer simulações sobre como será o mundo de sua filha. Em parceria com o diretor João Carrascosa, criou episódios com simulações da Terra no ano em que Valentina terá sua idade - 2043. "Depois dos relatórios do IPCC, que faziam projeções para os próximos 100 anos e em dimensões globais, pensamos em trazer essa discussão para a escala humana. Para perto de nós e do que pode nos acontecer em breve" , explica João Carrascosa, que assina roteiros e a direção do quadro.
Baseada em dados científicos, a série aposta no humor e na linguagem despojada para falar de um tema que preocupa cada vez mais o planeta. Além de apresentadores, Gabriel e Francielle serão 'cobaias' de algumas experiências. Com uma câmera digital cedida pelo Fantástico, o próprio Gabriel faz alguns registros desta nova rotina. No episódio sobre água, por exemplo, o apresentador explica: "Um cidadão gasta, em média, 150 litros de água por dia. No Rio de Janeiro, o número é ainda maior: são 250 litros, o recorde dos estados brasileiros". As estatísticas parecem até brincadeira perto das previsões assustadoras dos especialistas. Segundo os cálculos de Gabriel, em 36 anos, um brasileiro só terá 49 litros de água disponíveis por dia. Foi assim que eles resolveram ir a Remígio e Lagoa Seca, na Paraíba, onde os moradores sofrem com uma das piores secas da história da região. Lá, cada habitante vive apenas com 29 litros de água diariamente. O casal entrou então na rotina da população local e sentiu na pele as dificuldades de uma vida de tamanha economia e escassez do recurso. O programa vai falar também sobre praias, alimentos e consumo.
(Martha Mendonça) |
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06/06/2007
 Milagre da imagem
O francês Raymond Depardon, de 64 anos, é considerado um milagre por alguns críticos de arte, pois consegue transitar entre a fotografia e o cinema com o mesmo talento. Ele foi repórter fotográfico do conflito de independência da Argélia e da Guerra do Vietnã, na década de 60, e ganhou o prêmio Pulitzer em 1977. Na área cinematográfica, dirigiu e escreveu o roteiro de mais de 40 filmes, a maior parte documentários premiados na França. Até o dia 8 de julho, uma exposição na Caixa Cultural, em São Paulo, exibirá 37 fotografias de um ensaio produzido na fazenda em que cresceu, em Villefranche-sur-Saône, no Rhône, nordeste da França. Depardon concedeu a seguinte entrevista a ÉPOCA, por telefone, de Paris.
Época: A sensibilidade para se fazer um filme é diferente daquela usada para a fotografia? Raymond Depardon: É difícil de entender a diferença logo de cara. Pode-se pensar que um fotógrafo pode se tornar um bom cineasta. No entanto, a fotografia não é uma boa escola para o cinema. É completamente diferente, a captação do tempo é diferente, diria até antagônica. Sou inspirado pela minha infância, pela minha educação camponesa – sou filho de camponeses – então é o tempo que me interessa. Quando pego uma câmera, não sou mais um fotógrafo, sou alguém que busca a idéia da duração e sou muito atento ao som. Quando sou fotógrafo, me liberto dessa estética. É como se eu fosse duas pessoas, não sou o mesmo quando estou com uma câmera de vídeo e uma de foto. Sou um pouco esquizofrênico nesse sentido.
Época: A subjetividade está sempre presente em seu trabalho, mas em graus diferentes? Depardon: Sim, tenho a impressão de que sou mais introvertido, mais poético, mais contemplativo quando sou fotógrafo. Quando sou cineasta, sou mais engajado politicamente para exprimir alguma coisa. Sou mais militante, faço uma luta contínua.
Época: Luta contra o quê? Depardon: Contra as instituições, um pouco contra o poder e contra as organizações da cidade. Meus assuntos são coisas que às vezes são imperceptíveis, como a Justiça, a polícia, a psiquiatria, a imprensa. São filmes que ainda não são vistos no Brasil, mas que são relevantes na França.
Época: A exposição de suas fotos no Brasil será sobre a fazenda do Garet. Este é um cenário muito importante na sua obra. Por quê? Depardon: Tenho impressão de que foi lá que tive meu primeiro sonho. Foi o lugar de onde tudo saiu, minhas ilusões, meus desejos. De lá eu parti para viagens, para Paris. Lá passei minha infância. Eu era muito solitário naquela fazenda, era um universo duro. Era no celeiro que fabricava meus filmes, minhas fotos, minhas viagens, e de lá partiu esse instinto de ser fotógrafo. Meus pais eram muito amorosos. Mas não compreendiam o que eu queria fazer, por que eu queria me tornar fotógrafo e cineasta, por que eu queria ir a Paris, para onde me mudei aos 16 anos. Eu passava dos limites e eles estavam paralisados, não sabiam como me ajudar, mas nunca me censuraram. Era como se eu tivesse entrado para uma religião, como se eu fosse me tonar padre ou monge. Eu estava tomado pela fotografia, pela imagem.
Época: Dizem que seu trabalho é próximo do fotógrafo Henri Cartier-Bresson. O senhor crê naquele momento mágico, o “instante decisivo”, que ele acreditava ser ideal para clicar? Depardon: Não muito. Acredito no momento normal, menos mágico. Acho que Cartier-Bresson era obrigado a fazer maravilhas, porque as pessoas não viam a fotografia como uma arte. Agora, a fotografia é considerada uma arte, e não somos mais obrigados a fazer coisas excepcionais. Podemos mostrar os camponeses do nordeste da França, por exemplo, de forma normal. Nós podemos fotografar as pessoas comuns se a fotografia é forte.
Confira: Caixa Cultural Praça da Sé, 111, 3321-4400, Metrô Sé. Terça a domingo, 9h às 21h. Grátis. Até 8 de julho.
(Gisela Anauate)
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05/06/2007
Trilogia A Bússola de Ouro chega antes em livro 
Enquanto nos Estados Unidos seguem à toda as filmagens da trilogia A Bússola Dourada - uma superprodução com Nicole Kidman, Daniel "007" Craig e Eric Bana -, a editora Objetiva acaba de lançar no Brasil os livros do escritor inglês Philip Pullman, que deram origem à saga. A obra, que vendeu milhões de exemplares na Europa e nos Estados Unidos, ganhou prêmios e arrebatou a crítica, chegou de uma vez só ao Brasil: A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar. Lyra, a protagonista, é uma menina que mora em Oxford, na Inglaterra. Um dia, crianças da cidade começam a desaparecer. Quando some Roger, seu melhor amigo, Lyra parte em sua procura. No Norte, ela descobre que crianças estão sendo usadas como cobaias em estranhas experiências. Começa então uma aventura de tirar o fôlego, num universo mitológico bastante original. Na história, todas as pessoas têm um daemon - uma manifestação física da alma em forma animal, que representam a personalidade de cada um. Para divulgar o filme, o site oficial de A Bússola Dourada fez um teste para cada pessoa descobrir seu daemon. Clique aqui (http://www.goldencompassmovie.com) e vá em Meet Your Deamon.
(Martha Mendonça) |
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| Luís Antônio Giron |
| Editor de Cultura da Época. Jornalista, escritor e crítico. Doutor em Artes Cênicas pela USP, Mestre em Musicologia pela USP. Doutor e Mestre pela USP. Autor dos seguintes livros: Ensaio de Ponto (romance, 34, 1998), Mario Reis, o Fino do Samba (biografia, 34, 2001), Minoridade Crítica (ensaio de história cultural, Ediouro/Edusp, 2004), Até Nunca Mais POr Enquanto (contos, Record, 2004), Teatro Completo de Gonçalves Dias (edição, organização, estabelecimento de texto, ensaio introdutório), A Bacanal do Espírito: Gonçalves Dias Folhetinista (a sair pela Record), Crônicas reunidas de Gonçalves Dias (organização, ensaio introdutório, estabelecimento de texto, a sair pela Record). |
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