...vale ouvir “Lígia”, de Antônio Carlos Jobim, em dueto com Roberto Carlos. A gravação foi feita nos anos 70. A interpretação de Roberto para a canção foi o grande momento do show do Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O vídeo foi projetado, enquanto Roberto dizia que foi um dos momentos mais emocinantes de sua carreria. Bela interpretação. Aliás, se eu fosse Caetano Veloso, jamais ousaria dividir a cena com Roberto Carlos. A compraração entre os dois em termos de canto é vantajosa para o músico cabixapa.
A revista americana de jazz Wax Poetics acaba de lançar o segundo livro sobre música, o Wax Poetics Anthology Volume 2, com destaque para o hip hop americano de mestres como Joe Zawinul, Eumir Deodatoe Sun Ra. A publicação dedicou um capítulo inteiro a Wilson Simonal (The Saga of Wilson Simonal), que narra a carreira do cantor e sugere que os jovens devem conhecer o som do artista brasileiro. Por aqui, a fama de Simonal é outra.
Simonal começou a cantar no início da década de 60 como cronner em formaturas. A fama veio a partir de 1964 com suas apresentações no Beco da Garrafas, em Copacabana, um reduto carioca da boemia e da bossa nova. Foi lá que, ao lado do conjunto Som Três, comandado pelo pianista César Camargo Mariano, Simonal criou o que se chamou de “pilantragem”, um som repleto de swing e bordões como “machuca” e “deixa cair”.
Com o sucesso, passou a comandar, a partir de 67, um programa na TV Record, o Show Em Si Monal, um líder de audiência da emissora. Ganhou o rótulo de showman e se apresentou ao lado de Sarah Vaughan. São dessa época os sucessos País Tropical, Meu limão, meu limoeiro, Mamãe passou açúcar em mim, Sá Marina, Vesti Azul e Zazueira.
Mas a mesma “pilantragem” que deu o sucesso ao cantor ajudou a sepultar sua carreira. No início da década de 70, após participar da vitoriosa campanha da seleção brasileira no México, Simonal foi acusado de mandar espancar um de seus funcionários por problemas em sua produtora. Os algozes do rapaz eram militares. Isso foi o suficiente para o jornal O Pasquim acusá-lo de ser informante do regime militar.
Foi um duro golpe para Wilson Simonal. Os artistas lhe viraram as costas. O público sumiu. Nenhuma gravadora lhe deu mais espaço. O ostracismo foi inevitável.
Em 1999, Simonal conseguiu um documento assinado pelo então secretário de Estado dos Direitos Humanos, José Gregori, que dizia que o nome do cantor jamais constou no cadastros do Serviço Nacional de Informações (SNI). O artista andava com os documentos em mãos. Chegou a mostrá-los em poucos programas de TV que lhe deram espaço. Mas ninguém deu bola.
Um ano depois, Simonal morreu, aos 61 anos, em São Paulo, vítima de complicações no fígado em decorrência do alcoolismo.
Até o fim deste ano, o filhos de Simonal, Simoninha e Max de Castro, devem lançar um documentário sobre a vida e a carreira do artista. Depois disso, quem sabe, possa se afirmar que a luta de Simonal, como prega a letra de uma de suas canções mais famosas - Tributo a Mather Luther King - , chegue, de fato, ao fim.
Os shows do cantor e violonista João Gilberto estão sempre cercados de frisson. Os dois recitais que o músico deu no Auditório Ibirapuera, nas noites de 14 e 15 de agosto, não foram diferentes. João se atrasou nas duas noites – e discutiu com a imprensa, que acusou de divulgar falsas informações, como a de que ele teria demorado a ir ao show de quinta-feira porque estaria jantando com amigosno hotel Maksoud Plaza. “Onde já se viu dizer isso?” resmungou João na sexta-feira. “Eu nunca faria issso com o paulistano, um povo trabalhador que vem ver meu show, não deixaria ninguém esperando! E derramou declarações de amor a São Paulo. Os jornalistas e o povo da música, em especial, adoram sorver as frases curiosas e os banzés que ele às vezes arma no palco por causa da qualidade sonora ou dos atrasos, sempre festejados. Do ponto de vista musical, o procedimento de rotina é caçar as “novidades” que João apresenta nos shows. Ele sempre tira do fundo da memória um samba que quase ninguém conhece. Foi o caso do samba “Treze de ouro” (Herivelto Martins-Marino Pinto), gravado pelo grupo vocal Anjos do Inferno em 1949 para a Columbia. Os Anjos do Inferno, aliás, são a fonte principal do repertório e do jeito de cantar de João (o líder desse grupo vocal maravilhoso, Léo Vilar, era baiano...). Não se trata de nenhum tipo de informação criptográfica, ou segredo de um deus da canção. João sempre recorre às mesmas fontes: Dorival Caymmi (leia post sobre sua morte), Ary Barroso, Antônio Carlos Jobim e o repertório dos grupos vocais dos anos 40. O principal deles, Anjos do Inferno. Mas os jornalistas-tietes entram em êxtase como se João tirasse do nada coisas geniais. Nada disso: o que ele faz sempre é pinçar músicas esquecidas, mas que foram gravadas, lançadas e tocadas. Ele canta seus sucessos e rememora canções. Só isso. Uma antologia ao vivo, show-enciclopédia. O recital de sexta-feira teve os ingredientes que o jornalismo musical de fofocas adora: muvuca na entrada, celebridades, atraso de uma hora do astro e algumas pérolas escondidas do astro. Ele reapresentou “Treze de ouro” e cantou raridades como “Não vou pra casa” (Antônio Almeida-Roberto Roberti) e “Guacyra” (Hekel Tavares) – esta última lançada em 1930 pelo ator Raul Roulien. Apresentou também um sambinha despretensioso de sua autoria em homenagem a seu amor pelo Japão. “É a primeira vez que canto a música em público”, disse. Como espetáculo, a comemoração dos 50 anos da Bossa Nova por seu criador não poderia ter sido mais eficiente. Foram 90 minutos de música, numa alta concentração de informação. Os shows de João contém excessiva quantidade de música para um curto espaço de tempo. É preciso uma vida, talvez, para aborver tudo o que ele apresenta em menos de duas horas. Deve ser por isso que ele demora tanto para fazer um show: é resultado de repetição e meditação, voz e violão em constante jogo de tensão e relaxamento. O violão continua a operação minimalista – de sintetizar em poucos acordes ponteados arranjos anteriores de orquestra ou para vozes. É um violão que pontua pelo vazio, reforçando os silêncios. Mas o que mais chamou a atenção foi a qualidade da voz do cantor. Aos 77 anos, João Gilberto parece ter corrigido a rouquidão que o acometeu nos últimos 20 anos. Seu registro se revelou bem timbrado no barítono, o que lhe permitiu até mesmo trabalhar com os agudos, anteriormente abandonados. Em canções como “Você já foi à Bahia?” e “Chove lá fora” (a genial criação de Tito Madi, com sua melodia cromática e inesperada), ele ofereceu interpretações jamais ouvidas. Poucas vezes o músico expôs tão claramente sua arte vocal-instrumental. Ele não canta uma melodia, por exemplo, com o coloquialismo, com a fala e a síncope das ruas, como fazia seu influenciador Mário Reis. Prefere recriar o português, enriquecendo a língua de nuances e inflexões fonéticas inexistentes na língua. Se um dia for estudado, o português de João Gilberto revelará semelhanças com a variedade de sons mais ampla do francês – língua que ele conhece. Para dar um exemplo, Ele usa, por exemplo, quatro tipos de som vocálico para a letra “i”, aproximando-se do francês ou mesmo do japonês. Ele também suavisa as consoantes mais ruidosas – como o “s” e o “g” -, acrescentando uma sutileza na pronúncia. Talvez por isso ele tenha cortado justamente a palavra principal de sua versão de “Lígia” (Tom Jobim). O som “lígia” não combina com a fonética seletiva de João. Esses detalhes de pronúncia (há tantos outros) criam a diferença do canto joão-gilbertiano. Para não falar, obviamente, de outras particularidades, como a alteração do ritmo e do andamento das músicas, a combinatória dos timbres e vocalises que sempre entram em diálogo com a imprevisibilidade de seu violão. João Gilberto não é genial porque sabe músicas hoje desconhecidas (mas que estão disponíveis na internet de graça para quem quiser ouvir), e sim porque inventou e ainda desenvolve uma linguagem nova, armada sobre o canto e o violão. Seu show em São Paulo foi digno do cinqüentenário da bossa nova, o melhor que ele fez em muitos anos. (Luís Antônio Giron)
A morte de Dorival Caymmi, na noite de sexta0-feira, dia 15 de agosto, aos 94 anos, em seu apartamento em Copacabana, encerra um das carreiras mais brilhantes da canção brasileira. A importância de Caymmi não é apenas a de um grande autor de canções, quase nenhuma delas dispensáveis, quase todas tornadas clássicas e inspiradoras de muitos compositores. Caymmi deixou outros dois legados: ele ajudou a aproximar a música clássica da popular e foi praticamente o primeiro ídolo da música brasileira a se tornar o melhor intérpretes de suas próprias canções. Gênio da graça e da melodia, compositor tão erudito como popular e cantautor. Estas três características que fizeram dele uma das grandes personalidades musicais do século XX. Ao lado de Noel Rosa, Sinhô, Antônio Carlos Jobim, Dolores Duran e Tito Madi, Caymmi já tem um lugar na história da canção brasileiro. Na noite de sua morte, o cantor João Gilberto mostrava alguns de seus clássicos - como “Rosa morena” e “Você já foi à Bahia?” – no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O paralelismo entre a morte e o canto faz sentido. Desde que iniciou a carreira, no fim dos anos 30, suas canções não pararam de ser interpretadas. Um lance de sorte o levou à fama. Quando em 1939 o compositor Ary Barroso se recusou a compor um samba para um número do filme Banana da Terra, de João de Barro (O Braguinha). Ary queria receber mais. A produção chamou então o jovem Dorival para fornecer uma música, por um preço mais em conta. Ele veio com “O que é que a baiana tem?”. E o número foi lançado no filme pela cantora mais popular da época, Carmen Miranda. A fama internacional de Carmen, que foi para os Estados Unidos, só fez crescer o prestígio de Caymmi. A nova geração de músicos, que se juntava em grupos vocais, passou a adotá-lo como renovador da música brasileira. Os grupos Anjos do Inferno, Namorados da Lua, Os Cariocas e Garotos da Lua (onde João Gilberto se destacou como crooner no fim dos anos 40) começaram a gravar e popularizar os sambas e canções de Caymmi. Eram sambas sincopados com harmonias arriscadas, cheias de modulações e passagens inesperadas. Basta lembrar “O Mar”, de sua autoria, uma das primeiras gravações do próprio Caymmi, feita para a gravadora Continental em 1943. Nesta canção de harmonias fluidas, Caymmi elabora uma modulação, saltando de uma tonalidade para outra, que jamais havia sido tentada em música brasileira. Ele me disse em entrevista feita em 1994 que se inspirou na peça orquestral homônima, La Mer, do compositor francês Claude Debussy. As harmonias modais e as escalas de tons inteiros, aliás, serviram também como inspiração para Gershwin, Charlie Parker e Jobim. O DNA da Bossa Nova já estava ali, já nas composições iniciais de Caymmi. Foi o que Joao Gilberto mostrou no show de dia 15, e 50 anos antes, quando gravou “Rosa morena”, no LP Chega de Saudade (1959), marco inaugural do estilo bossa-novista. Caymmi criava um novo modelo harmônico e melódico para a canção brasileira. A renovação, como sempre acontece, tinha um pé na tradição e outro na novidade. Caymmi era fã de J.B. da Silva, o Sinhô, autor em moda na juventude do músico baiano, e de George Gershwin, que ouviu desde que saiu a gravação de Rhapsody in Blue, com o autor ao piano e a orquestra regida por Paul Whiteman. De Sinhô, Caymmi extraiu o humor e a forma urbana do samba. De Gershwin, a ousadia harmônica, as “blue notes” vindas do jazz. Além de Buda Nagô (Gilberto Gil dixit) de uma geração que viria a criar a bossa nova, ele foi um músico de cultura erudita. Gostava de Gabriel Fauré, Claudio Monteverdi e Claude Debussy. Apreciava e assimilava as contribuições dos renovadores harmônicos de todos os estilos e gêneros. E atuou como paradigma para os compositores que se seguiriam. Caymmi foi a fonte sonora da modernidade da MPB. O que dizer do adeus de Caymmi? Morre um pouco a canção brasileira com ele. Perde-se talvez a chave de sua arte construída sobre a economia e a espontaneidade. Suas canções estão aí. São oito dezenas, muito pouco... sempre é muito pouco, mas talvez Caymmi tenha sido econômico em demasia. A gente queria mais.
Que João Gilberto é um artista difícil e cheio de manias todo mundo já sabe. Mas, bem mais humilde, não fez nenhuma exigência extravagante, como as dos grandes astros da música internacional, para os dois shows que fará em São Paulo nesta quinta e sexta-feiras (14, 15).
Além do jatinho particular que o patrocinador do show - o Banco Itaú - colocou à disposição do músico, um pequeno e singelo pedido de João chamou a atenção: a jornalista Mônica Bergamo publicou em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo uma listinha, feita pelo próprio artista, com nomes de “amigos queridos” que ele gostaria que fossem aos seus shows na capital paulista.
Entre os escolhidos, que segundo o jornal teriam ingressos reservados na bilheteria, estão "o Marcelo que trabalhava na Varig", "meu querido Mario Thompson e sua família"; Rodolfo Nagler, Sabát, "o grande Fernando Faro"; Joãozinho Bossa Nova e "três grandes cantoras, Elza Laranjeira, Maricenne Costa e Mirian Fraga".
Opa, “Elza Laranjeira”? Será que João fez menção à cantora morta em 1986? Aquela considerada a “melhor intérprete de Dolores Duran”?
Procurada, a assessoria do show disse que não pode precisar se a “Elza Laranjeira” da lista é a cantora morta, já que a relação não passou por eles.
A jornalista Mônica Bergamo afirmou que apenas reproduziu a listinha feita pelo próprio João Gilberto. “Só ele pode dizer se é ela! Mas pode ser, e ele não foi informado da morte”, disse por e-mail.
Será que “Elza Laranjeira” aparecerá no show? Se alguém conhecer alguma homônima da cantora e que, por acaso, também tenha a mesma profissão, por favor, nos avise. Um dos tão disputados ingressos para os shows está reservado...
João Gilberto Dias 14 e 15 de agosto (quinta e sexta) Auditório Ibirapuera Parque do Ibirapuera - Av.Pedro Alvares Cabral, s/n Portão 03 Horário: 21h Lotação: 806 lugares Preços: Ingressos esgotados
Ele é recluso e não dá entrevistas. Quando resolve se apresentar em público, reclama do microfone, do ar condicionado e ainda debocha da platéia. Esse é João Gilberto, um dos mentores da bossa nova, que, nesta terça-feira (5), ganhou mais um capítulo em sua biografia, que já é repleta de histórias e lendas.
As entradas para as apresentações de João em São Paulo - que acontecem nos próximos dias 14 e 15 de agosto -, no Auditório Ibirapuera, esgotaram-se apenas 1 hora e 23 minutos depois do início das vendas.
Os ingressos, que tinham preços que variavam de R$ 30 a R$ 360, foram colocados à venda apenas pelo telefone e pela internet. Com toda essa procura, as linhas telefônicas ficaram congestionadas e o site que negociava as entradas saiu do ar.
Quem não conseguiu entradas para São Paulo, ainda tem a chance de ver João no Rio de Janeiro (dia 24 de agosto, no Theatro Municipal) e em Salvador (05 de setembro, no Teatro Castro Alves). No Rio, os ingressos estarão disponíveis no próximo dia 14. Na capital baiana, a partir do dia 26 de agosto.
As apresentações de João fazem parte das comemorações dos 50 anos da Bossa Nova e são uma iniciativa do Itaúbrasil, plataforma de patrocínio do banco Itaú. Ainda fazem parte do pacote, shows de Roberto Carlos e Caetano Veloso cantando Tom Jobim (dia 22 de agosto, no Rio e 25 e 26 de agosto, em São Paulo).
Vale lembrar que uma das últimas apresentações do papa da bossa nova em São Paulo foi polêmica. Em 1999, ao inaugurar o Credicard Hall reclamou diversas vezes do som. Foi vaiado pela platéia e respondeu de pronto: “Vai de bêbado não vale”. Um ano depois, fez as pazes com o público paulista ao fazer uma série de shows no Tom Brasil. Bem humorado, lembrou do episódio da vaia e disse que “sofreu muito” com o acontecido.
Ah! Não se esqueçam! A produção do cantor já mandou avisar que as apresentações começam pontualmente às 21h. Vai arriscar chegar atrasado?
O cinema de Breno Silveira tem duas características marcantes: o dom de levar milhões de espectadores às salas de cinema, e uma mania perniciosa de esquematizar os roteiros em forma de fábulas, numa linguagem cinematográfica adocicada. Provavelmente, essas duas propriedades se relacionam. Em “2 Filhos de Francisco”, o diretor atraiu mais de 5 milhões de pessoas aos cinemas, recorde desde a chamada retomada do cinema nacional, ocorrida a partir de 1993. Ali, Breno casou bons momentos dramáticos com a subversão de lugares-comuns e, por vezes, com o uso original dos mesmos. Em “Era Uma Vez...”, seu segundo longa, Breno errou na fórmula e carregou nas tintas do começo ao fim. O filme acompanha a história de Dé (Thiago Martins), um rapaz da favela do Morro do Cantagalo, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Criança, o caçula Dé vê o irmão do meio ser morto a tiros pelo tráfico por causa de uma pendenga durante uma pelada. Em seguida, tenta inutilmente proteger o irmão mais velho, Carlão (Rocco Pitanga), preso injustamente por porte de arma. Dé cresce colado à mãe e longe do crime. Trabalhador, empregado de um quiosque do calçadão, faz cachorros-quentes, varre o chão e sonha com uma garota loira e delicada que vê pela janela de um apartamento à beira-mar, na Vieira Souto: Nina (Vitória Frate). Ele não tem pai, ela não tem mãe. Ela gasta em duas noites o que ele ganha no mês. Ele tem um irmão preso por engano, que se torna chefão do tráfico, ela tem um pai que a proíbe de subir o morro. Claro, vão se apaixonar. Ele vai enfrentar a resistência da mãe, preocupada com o que o pai rico da garota vai pensar. Ela, a do pai, que não quer ver a filha envolvida com gente da favela. Tudo simétrico, conveniente. Sem erros. Breno Silveira até consegue fugir do “sociologês” barato que aplaina as mazelas brasileiras ao lhe dar soluções miraculosas. As radicais diferenças sociais do país funcionam como pano de fundo e gatilho dramático do começo até a metade do filme. Apresenta de maneira sutil os personagens e constrói os conflitos com agudez, retratando a questão do abismo de classes sociais e seus efeitos sobre as pessoas. Mas a receita da mistureba de paixão, diferenças sociais, tráfico e violência desanda da metade para o final. O filme se noveliza, vira um folhetim televisivo de Romeu e Julieta, repleto de penduricalhos melodramáticos como situações emotivas e música de fundo onipresente, para falsamente aumentar o grau de envolvimento do público. E comete seu maior pecado: o roteiro se torna tatibitate, didático, na tentativa de induzir o público, como a uma boiada, às conclusões de sua tese de insolubilidade para o Brasil. Ao duvidar da capacidade do espectador de ler nas entrelinhas, Breno pode ter jogado fora a única característica relevante de seus filmes: a de arrebanhar os espectadores ao cinema.
Graças ao seu papel em Hancock, Will Smith alavanca as bilheterias americanas interpretando o avesso do herói típico
Por Rodrigo Turrer
Uma surpresa atingiu o mercado cinematográfico. Em uma temporada dominada por estréias de filmes de super-heróis em quadrinhos, a encarnação de um anti-herói está bombando os cinemas. E graças ao ator Will Smith, que vive o incompreendido herói bêbado e decadente Hancock. A comédia Hancock arrecadou mais de US$ 66 milhões nos Estados Unidos logo na estréia e lidera as bilheterias em 47 dos 50 países onde estreou, inclusive o Brasil. Esse sucesso estrondoso tem gosto de vitória pessoal para Smith, duramente criticado pelo papel. Com isso, Smith só prova que é o rei das estréias pós-4 de julho nos Estados Unidos – feriado de comemoração da independência americana. Seu sucesso começou em 1996, com “Independence Day”. De lá pra cá, seus filmes estrearam em primeiro lugar cinco vezes no feriado de 4 de julho. Um presidente da Columbia, produtora que detém os direitos de distribuição do filme, afirmou: “a audiência ama Will Smith”. É verdade. Sua última aparição antes de Hancock, no drama apocalíptico “Eu Sou a Lenda”, arrecadou US$ 256 milhões nos Estados Unidos. Agora, ajudado por Hancock – e principalmente por Smith –, a venda de ingressos no atual verão americano superou em 6% às de 2007. O que prova que, em Hollywood, Will Smith é mesmo uma lenda.
A partir da esquerda: Eric Idle, Graham Chapman, Michael Palin, John Cleese, Terry Jones e Terry Gilliam
Por RICARDO ALEXANDRE*
Está cegando às lojas o DVD Monty Python’s Flying Circus – A Quarta Série Completa (Sony Pictures) com a última temporada do programa que consagrou o Monty Python como a mais anárquica trupe humorística da História. Com a série completa, mais os filmes para cinema (também lançados aqui), os brasileiros têm acesso a praticamente toda a obra “oficial” do sexteto inglês, que foi muito além do formato do esquete humorístico, se espalhando por música, teatro, multimídia e na própria carreira dos “Beatles do humor”.
The Funniest Joke in the World Ponto alto do primeiro episódio, Whiter Canada? (5/10/1969), o esquete conta, em farsesco tom documental, a história de uma certa piada tão engraçada que matava de rir quem a lesse.
“Liberty Bell (March)” O tema de abertura do Flying Circus, composto em 1893 por John Phillip Sousa, era usado na troca da guarda do Palácio de Buckingham. Após o sucesso do show, a realeza, constrangida com o caráter humorístico que a música adquiriu, abriu mão de sua utilização. http://www.youtube.com/watch?v=49c-_YOkmMU&feature=related
Censura O grupo vivia tendo problemas com a Censura. Afinal, o programa era transmitido pela estatal BBC. Para driblar maiores problemas, criaram um personagem (Graham Chapman, justo o primeiro a dizer “shit” na TV) que, vestido de soldado, simplesmente interrompia as piadas que estivessem indo muito além da conta.
Discos Entre 1970 e 1983, o grupo lançou dez álbuns, misturando piadas com canções. Os Pythons inovaram muito nos formatos: havia desde gravatas com LPs encartados “de graça” até uma bizarra “edição executiva” (cujo único bônus era uma faixa com uma locução que dava parabéns ao comprador pela escolha) da trilha do filme Em Busca do Cálice Sagrado.
Spanish inquisition Três clérigos sádicos torturam personagens com ferramentas pouco usuais como escorredores de louça e travesseiros de plumas. Eles surgem ao longo do episódio 15, Spanish Inquisition (22/09/1970), da segunda temporada. http://www.youtube.com/watch?v=0-oQpSvo3Wk
“Ministry of Silly Walks” Uma cruel sátira aos subsídios do governo inglês. Nesse esquete, do episódio Face the Press (15/9/1970), Michael Palin pede ao “Ministro do andar tolo” uma bolsa para que seu andar se torne ainda mais tolo. http://www.youtube.com/watch?v=IqhlQfXUk7w&feature=related
Cartuns O único americano do grupo era o cartunista Terry Gilliam, responsável pelos surreais desenhos animados usados na série, por toda a identidade visual do grupo e por pequenos papéis. http://www.youtube.com/watch?v=az5HglZBoso
Argument Clinic Michael Palin tenta aprender a discutir em uma clínica especializada – e um tanto desonesta. Do episódio 29, “The Money Program”, de 2/12/1972. http://www.youtube.com/watch?v=ppK6sxz6epk
Spam O jargão “spam”, usado hoje na internet, surgiu aqui. No esquete, a palavra spam (até então um tipo de carne embutida barata) é repetida virulentamente por uma dona de um bar, por seus clientes e por um grupo de vikings (!). O episódio é da segunda temporada do show (15/12/1970). http://www.youtube.com/watch?v=BIWk5bGno58
A separação John Cleese deixou o grupo no fim de 1972. Ele achava que estava se repetindo. De fato, a quarta série teve apenas seis episódios, a maior parte aproveitando roteiros antigos ainda inéditos.
O Cálice Sagrado Por nove anos a partir de 1974, o grupo se dedicou aos filmes, paralelamente às carreiras individuais. O primeiro longa foi Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, uma sátira à lenda do Rei Arthur repleta de nonsense. Bancado em parte por bandas como Pink Floyd e Led Zeppelin, o filme estreou em abril de 1975, com grande sucesso. http://www.youtube.com/watch?v=RDM75-oXGmQ
The Rutles Em 1979, Eric Idle produziu All You Need is Cash, uma “documentira” para a BBC sobre o grupo The Rutles, uma paródia da história dos Beatles, com participação do velho colaborador do Monty Python Neil Innes, além de Mick Jagger, Paul Simon e até de George Harrison. http://www.youtube.com/watch?v=0513ONl1Vv4
“Always look on the bright side of life” Composta por Eric Idle, “Olhe sempre para o Lado Positivo da Vida” era o que o personagem-título ouvia no filme A Vida de Brian (1979) enquanto era crucificado. A música chegou ao número 3 da parada britânica e, acredite ou não, foi entoada pelo grupo em pleno velório de Graham Chapman, em 1989. http://www.youtube.com/watch?v=jHPOzQzk9Qo
Hollywood Bowl O filme O Sentido da Vida, de 1983,foi a última reunião do time original. Aproveitando sua passagem por Hollywood, os Pythons se apresentaram no show lançado em DVD como Ao Vivo no Hollywood Bowl. Destaque para o quadro das “Olimpíadas Tolas”, com provas como “Maratona para incontinentes” e os “100 metros para pessoas sem senso de direção”.
A Morte de Graham Chapman A morte de Graham Chapman, em outubro de 1989, foi motivo de mais uma série de piadas. Logo em seu velório, brincaram que, como Chapman havia sido o primeiro a dizer “shit” na televisão, John Cleese seria o primeiro a dizer “fuck” em um velório. http://www.youtube.com/watch?v=fsHk9WC7fnQ
CD Rom Em 1994, no auge da era do CD-Rom, o grupo lançou Complete Waste of Time, uma reunião de joguinhos, animações e recados para secretária eletrônica, que ganhou o CODiE Awards como melhor programa de estratégia.
Concert for George A mais recente das (raras) reuniões ocorreu em 2002 para um tributo ao amigo George Harrison. Cantaram a pornográfica “Sit on My Face” e mostraram seus traseiros para a elegante platéia do Royal Albert Hall. http://www.youtube.com/watch?v=Xck9FaO_zA4
Spamalot O musical Spamalot, uma adaptação de Eric Idle para O Cálice Sagrado, estreou em 2005 na Broadway com enorme sucesso, ganhando até o Tony Award. A peça fez de Idle o mais bem-sucedido de todos os ex-pythons. Está em cartaz em Londres. http://www.youtube.com/watch?v=1h8XlW5S0tI&feature=related
Extras dos DVDs Novos exemplos do humor do grupo aparecem nas edições em DVD de seus filmes: O Cálice Sagrado vem com uma opção de legendas “para quem não gosta do filme” (um texto adaptado de Henrique IV, de Shakespeare); O Sentido da Vida tem uma “trilha de comentários para solitários”, com frases para fazer companhia ao espectador.
* Ricardo Alexandre é editor-chefe da revista “Monet”. Visite também seu site pessoal, www.causapropria.com.br.
O personagem Caio de Almeida é uma mistura de Caio Fernando Abreu com Guilherme de Almeida Prado. Ele foi criado pelo primeiro, escritor gaúcho morto com Aids em 1996. É protagonista do semi-autobiográfico romance Onde Andará Dulce Veiga?, que marca o estilo underground e finamente literário que consagrou Abreu. Agora, o personagem ganhou vida no cinema. Nas mãos do inventivo Guilherme de Almeida Prado, que foi amigo do escritor, ganhou também um nome que une seus dois autores – o roteiro de Onde Andará Dulce Veiga? foi escrito por ambos, em 1987. Na história, um jornalista (Eriberto Leão) se apaixona por uma roqueira lésbica (Carolina Dieckmann). Ele tem como missão procurar a mãe da moça, uma cantora sumida há 20 anos. A diva Dulce é vivida por Maitê Proença. O filme marca a estréia de Leão e de Carolina nos cinemas. Já Maitê é figura constante em longas, inclusive nos de Guilherme de Almeida Prado: fez A Dama do Cine Shangai (1987) e A Hora Mágica (1998). Que o elenco de atores de novela não engane. Prado fez carreira com um cinema autoral, cheio de referências. Em Onde Andará Dulce Veiga, as alusões ao cinema noir se misturam com os diálogos de Caio Fernando Abreu com a cultura pop. O resultado é uma conversa maluca entre esses dois mundos, ambientada nos anos 80. “Há muita coisa moderna naquilo que Caio escreveu”, diz Prado, em entrevista a ÉPOCA.
Época: O roteiro de Onde Andará Dulce Veiga foi escrito antes mesmo do romance. Por que demorou tanto para sair do papel? Guilherme de Almeida Prado: Eu e Caio escrevemos o roteiro juntos, em 1987. Ele transformou a história em romance porque acreditou que assim alavancaria o filme. De fato, o livro fez sucesso. Mas, nos anos 90, com o governo Collor, o cinema brasileiro acabou. Não tínhamos como filmar.
Época: E por que escolheu filmar o roteiro agora? GAP: Parece que foi uma coisa das estrelas, do Caio, mesmo (risos). Em 87, eu havia acabado de fazer A Dama do Cine Shangai, que tinha uma atmosfera anos 40. Então, o objetivo de Onde Andará Dulce Veiga? era filmar algo que tivesse a ver com nosso tempo, com aquilo que estávamos vivendo. Quando Caio morreu, em 1996, guardei o roteiro na gaveta. Achei que ia ficar uma coisa velha, que o tempo tinha passado. Em 2002, fui fazer um workshop de roteiros em Sundance e descobri que poderia inscrever dois projetos. Acabei inscrevendo o Onde Andará Dulce Veiga além do meu projeto principal. Não esperava que fosse ele o escolhido! Então fiquei discutindo o roteiro com cinco consultores. Eu dizia que achava que o filme estava velho, mas eles chamaram a atenção para que eu me concentrasse naquilo que era mais atual. Na questão da fama rápida, por exemplo, que é um tema importante. Assim, o filme renasceu em mim. Comecei a vê-lo com outra perspectiva. Há muita coisa moderna naquilo que Caio escreveu. A busca por Dulce Veiga daria um videogame, em que o personagem passa por vários caminhos tortuosos para chegar ao seu objetivo.
Época: O quanto do Caio autor tem o Caio personagem? GAP: Muito. O roteiro original era menos autobiográfico, e o personagem não se chamava Caio de Almeida, que é uma brincadeira com nossos nomes. Quando fiz a versão pós-Sundance, o personagem ficou mais parecido com o Caio. Coloquei uma narração em off, que retirei de trechos do romance, para mostrá-lo mais como escritor. No roteiro original, ele era só jornalista. Não que eu quisesse, mas o personagem tem muito do jeito do Caio de falar, de andar, de fumar sem parar. A máquina de escrever usada no filme é igualzinha à que ele usava. E se o Caio fosse escolher um ator para interpretá-lo, ele chamaria um bonitão como o Eriberto Leão (risos).
Época: A narração em off deixou o filme mais literário? GAP: Não. Acho que ela dá a dimensão poética da obra do Caio. Sua literatura é muito coloquial. Quando você lê em voz alta, fica muito bem. Achei que colocar a narração funcionaria quase como uma música, marcando o estilo literário do Caio.
Época: Falando em música, como foi concebida a trilha sonora? GAP: Trabalho sempre com Hermelino Neder. Quando fiz o roteiro, queria compor um hit da Dulce Veiga, um bolerão que ficasse na cabeça das pessoas. Hermelino é muito clássico, então fez uma música sofisticada – essa música deixei para Dulce cantar no final do filme. Ainda estava atrás de um bolero, de algo mais popular, para a música principal do filme. E pensei que poderíamos pegar uma música manjada e colocar outra letra. Lembrei de “Meditação”, que é uma das músicas mais famosas do Tom Jobim. As pessoas não conhecem tão bem a letra, de Nilton Mendonça, que é chique, filosófica. Então compus uma letra mais popular. Queria criar a sensação, no espectador, de que a música provoca alguma lembrança. É a mesma sensação que o personagem Caio tem ao ouvir a Márcia, filha da Dulce Veiga, cantando “Meditação”.
Época: Quem é a cantora que faz a voz de Dulce Veiga? GAP: Testei várias cantoras até chegar a Izy Gordon (intérprete paulista). Precisava de uma cantora muito boa, mas que também tivesse um timbre parecido com o da Maitê Proença. Queria alguém um pouco rouca, com um vozeirão de uma Maysa. E consegui. Maitê sabe cantar, já fez musicais. Mas ela mesma falou que não dava para interpretar uma música como uma grande cantora.
Época: Carolina Dieckmann canta as músicas da roqueira Márcia? GAP: Sim. Eu trabalhava com a hipótese de chamar uma cantora para a voz da Márcia, mas Carolina disse que faria. Então, testamos. Hermelino, que é muito exigente, disse: “a menina canta”. Carolina gravou várias músicas do filme antes mesmo de começarmos as filmagens.
Época: Alguns acham seu trabalho meio “cabeça”. Acha que o filme vai ser bem recebido? GAP: Já disseram que ele não tem potencial comercial. Não quero ficar rico ou famoso, mas faço filmes para as pessoas assistirem (risos).
27/06/2008 Labirinto até o fim Peça do grupo Pessoal do Faroeste revela um passado negro da cidade de São Paulo, ligado a ideais eugenistas e à juventude hitlerista
Depois de encenar o cotidiano de um cortiço em “Re-bentos” e a história real de um descendente de escravos acusado de ter abusado e assassinado três garotos em “Os Crimes do Preto Amaral”, o grupo de teatro Pessoal do Faroeste encerra a chamada Trilogia Degenerada com a peça “Labirinto Reencarnado”, em cartaz até o final de julho em São Paulo. Como nas duas primeiras partes da Trilogia, “Labirinto Reencarnado” mistura ficção com fatos um tanto indigestos da história da cidade de São Paulo. A peça narra a conturbada relação entre Ícaro, um jovem integrante da juventude hitlerista, e seu pai, Dédalo, um engenheiro português que construía manicômios e hospitais em São Paulo. A história propõe uma discussão sobre os projetos sanitaristas e o pensamento eugenista que existia na cidade nas décadas de 1930 e 40. O conflito familiar surge quando Dédalo, um judeu convertido cristão, vê as atrocidades cometidas pelo nazismo e passa a questionar seus valores eugenistas. O filho, no entanto, persiste em sua admiração pelos feitos de Hitler, sempre lembrando o pai de que seus ensinamentos sobre o comportamento das raças eram cada vez mais comprovados pelo que acontecia na Alemanha daquela época. Muito mais que um conflito de gerações, Ícaro e Dédalo representam pensamentos que ficaram apenas nas páginas dos livros de História. Por mais que a Segunda Guerra seja tema recorrente na literatura e no cinema atual, são poucos os registros da participação brasileira no assunto. Todos sabemos que o governo getulista teve sua parcela de envolvimento tanto com a Itália de Mussolini quanto com os Estados Unidos, e que o Brasil teve comunidades nazistas. Mas nem todos sabem que muitos acadêmicos, intelectuais, médicos e engenheiros defendiam e pesquisavam a eugenia aqui mesmo. Para se ter uma idéia, a Avenida Dr. Arnaldo e a Rua Oscar Freire, conhecidas por quem mora em São Paulo, são nomes de médicos eugenistas. E o maior número de brasileiros ligados à juventude hitlerista vivia na cidade. Mesmo com apenas quatro atores em cena, “Labirinto Reencarnado” consegue transpor a dimensão desse passado para o palco – aliás, um palco simples, de arena, com paredes forradas de tecido branco, simulando um quarto de manicômio. O ritmo dos diálogos é frenético, alucinado – o que pode até confundir um pouco o espectador, mas é coerente com um tema tão assustador. O Pessoal do Faroeste tem realizado também um ciclo de palestras sobre o assunto da peça. Todas as segundas-feiras, a partir das 15 horas, artistas e acadêmicos vão à sede do grupo debater o impacto da eugenia brasileira na saúde pública e na urbanização de São Paulo. O projeto cumpre um dos intuitos mais importantes de grupos de teatro que se propõem a discutir questões tão polêmicas: não deixar a reflexão sobre a peça morrer.
Labirinto Reencarnado (80 min.) Sede Faroeste. Alameda Cleveland, 677, Campos Elíseos – São Paulo. De sábado a segunda, 18h. A peça fica em cartaz até 28/7 (Foto: Lenise Pinheiro) (João Massaro)
Onde como e quando as pessoas encontram o grande amor de suas vidas? Pra desvendar essa pergunta, a jornalista Chris Campos entrevistou 30 casais considerados perfeitos, para tentar desvendar o mistério dessas paixões longevas. Época não ficou atrás, e fez uma lista com os 50 pares mais perfeitos da história – das pessoas que se juntaram há décadas àquelas que, mesmo há pouco tempo juntas, parecem nascidas uma para outra. Confira os eleitos:
1. Brad Pitt & Angelina Jolie 2. John Kennedy & Jacqueline Kennedy 3. Jane & Herondy 4. Nicette Bruno & Paulo Goulart 5. Glória Pires & Orlando Morais 6. Spencer Tracy & Katharine Hepburn 7. Gertrude Stein & Alice B. Toklas 8. Andreas Kisser & Patrícia Kisser 9. Bruna Lombardi & Carlos Alberto Riccelli 10. Débora Falabella & Eduardo Hipolitho 11. Otaviano Costa & Flavia Alessandra 12. Ronnie Von & Cristina Von 13. Marina Bandeira & Amyr Klink 14. Dolce & Gabbana (Domenico Dolce & Stefano Gabbana) 15. Willian Bonner & Fátima Bernardes 16. André Agassi & Steffi Graf 17. Luciano Huck & Angélica 18. Edson Celulari & Cláudia Raia 19. Cauã Reymond & Grazi Massafera 20. Gloria Menezes & Tarcísio Meira 21. Fernanda Montenegro & Fernando Torres 22. Kurt Cobain & Cortney Love 23. Beyoncé & Jay-Z 24. Tom Cruise & Katie Holmes 25. Gavin Rossdale & Gwen Stefani 26. John Lennon & Yoko Ono 27. Ozzy Osbourne & Sharon Osbourne 28. Sid Vicious & Nancy Spungen 29. Rock Hudson & Doris Day 30. Jorge Amado & Zélia Gattai 31. Jean Paul Sartre & Simone de Beauvoir 32. Javier Bardem & Penélope Cruz 33. Reese Witherspoon & Jake Gyllenhaal 34. Matthew McConaughey & Camila Alves 35. Federico Fellini & Giulietta Masina 36. David Beckham & Victoria Beckham 37. Seal & Heidi Klum 38. Malu Mader & Tony Belloto 39. Lampião & Maria Bonita 40. Bonnie & Clyde 41. Paul Newman & Joanne Woodward 42. Humphrey Bogart & Lauren Bacall 43. Pierre Curie & Marie Curie 44. Amy Winehouse & Blake Fielder-Civil 45. Felipeh Campos & Rafael Scapucim 46. Johnny Cash & June Carter Cash 47. Diana Krall & Elvis Costello 48. Elza Soares & Garrincha 49. Debbie Harry & Chris Stein 50. Sylvia Plath & Ted Hughes
31/05/2008 Paulo Coelho e Nelson Rodrigues: fato ou ficção?
No livro O Mago, biografia do escritor Paulo Coelho feita pelo jornalista Fernando Morais, há uma série de revelações feitas a partir de 250 horas de entrevistas com o próprio biografado, com afetos e desafetos, além de pesquisas no baú que o autor guardou lacrado desde 1995. Os baús trazem fitas e cadernos com os diários de Paulo Coelho entre 1959 e 1995. Dos 12 aos 48 anos, ele jogou todos o seu dia-a-dia ali. Um dos episódios mais interessante é o que se refere à vida sexual agitada do futuro escritor. Nos anos 60, entre muitas estripulias, fez sexo com uma aspirante a atriz na casa da tia-avó dela. O ingrediente perverso é que o casal fez sexo na frente da senhora. Esse episódio remete ao capítulo 14 do romance O Casamento, de Nelson Rodrigues, lançado em 1966, no auge das aventuras amorosas do jovem Paulo Coelho, então envolvido com o meio teatral. Ou foi coincidência ou Paulo Coelho se inspirou em Nelson Rodrigues para a cena amorosa descrita no livro de Fernando Morais.
Compare os dois trechos. O que você acha?
Trecho de O Mago, de Fernando Morais
“Assim, quando surgia uma conquista inesperada, ele resolvia o problema como dava. Certa feita passou horas em preliminares amorosas com uma jovem candidata a atriz em pedalinho na lagoa Rodrigo de Freitas. Depois de uma via-sacra por inferninhos e já embalados - por álccol, pois nenhum dos dois consumia qualquer tipo de droga -, Paulo e a garota terminaram a noite fazendo sexo na casa onde ela morava com uma tia-avó. Como era um apartamento de uma única peça, divertiram-se transando diante dos olhos estatelados da anciã, surda-muda e senil - experiência, aliás, que se repetiria algumas vezes. “
Trecho de O Casamento, de Nelson Rodrigues “E, súbito, o Zé Honório aperta o comutador. Uma luz forte, cruel, enche o quarto. E, com a luz até os cheiros da agonia e da morte tornaram-se mais nítidos e obsessivos. Antônio Carlos, Glorinha e Maria Inês se juntam num canto. Zé Honório, magro e de sunga, faz, lentamente, a volta da cama (a agonia tem cheiro de excremento.). O velho fecha os olhos. Tem cílios de piaçava como os defuntos. O filho põe as duas mãos na beira da cama. Diz, com a voz estrangulada: - Abre os olhos, homem. Nada. Glorinha pensa no pai que ela nunca vira de pijama, nem sem meias. Não conhecia os pés do pai. Sabino dormia de meias, como se achasse indignos os próprios pés. O velho continua de olhos fechados. Aquilo exaspera o filho: - Velho, você não está dormindo. Não está dormindo, nem morreu. Eu sei que tu vê e ouve. Então, escuta. Escuta o que eu vou te dizer. Esperei quinze anos por esse momento. Está ouvindo, velho?
Deita-se na cama, ao lado do doente. Fala ao seu ouvido: - Aqui atem duas meninas. Eu nunca, nunca, quis ser homem. Durante toda a minha vida, eu quis xoxota como as meninas, como todas as meninas. Escuta o resto. Pausa e continua ofegando: - Agora, eu vou fazer, na tua frente. Vou fazer na tua frente com um chofer de ônibus, o que eu fiz com aquele menino. Vou fazer aqui dentro. Tu vendo, vendo e ouvindo. O moribundo tem o perfil gelado dos mortos. Antônio Carlos aproxima-se da cama: - Não está morto? O filho pula: - Não, não! Que morto! E fala para o pai: - Velho, a mim você não engana. Eu te conheço. Anda, abre os olhos, abre. Não abre?Vira-se para Antônio Carlos e as meninas: - Querem ver, como ele abre? Fala de novo, ao ouvido do pai: - Ou tu abre os olhos ou te queimo as pestanas com esse isqueiro! Glorinha, crispada até o ânus, viu abrir-se aquele olho de espanto. O olho começou em Zé Honório, passou para Antônio Carlos, depois para Maria Inês e, agora, estava fixo em Glorinha. Zé Honório está desatinado: - Não olha para os outros. Oha pra mim. Cadê teu positivismo? Adiantou teu positivismo? Olha pra mim, vai olhar pra mim. Antônio Carlos masca o chicletes imaginário. Acaba falando: - Como é, Zé? Olha a hora, rapaz! Maria Inês sente as pernas bambas: - Isso está me dando dor de barriga. O Zé corre e abre a porta. Grita para baixo: - Romário, Romário! Pode vir! Vem! Então, Glorinha aproxima-se, lentamente, da cama. Maria Inês ainda pede: - Volta, volta! Glorinha inclina-se para o moribundo. Por um momento, olha aquela cara de agonia. Os beiços orxos, com o bigode por cima, branco de estopa suja. E, súbito, ela recua. Atraca-se a Antônio carlos, aos soluços: - Está chorando! Está chorando! O rapaz a segura pelos dois pulsos: - Está maluca? Quietinha! Maria Inês vai espiar também as lágrimas caindo. Glorinha esperneia: - Não deixa, Antônio Carlos! Não deixa! Se você é homem, quebra a cara desse cretino! - Para com esse histerismo! Disse: - Se não quebrar a cara, é porque você é igual a ele, puto como ele! Seu puto! Zé Honório volta com Romário. É um mulato forte, lustroso, de ventas obscenas. Entra de boca aberta, olho incandescente. Tem a coxa plástica elástica, vital, como a anca de um cavalo. Zé Honório diz, maravilhado: - Está chorando! Chorando! Antônio Carlos solta Glorinha. Rápida, a menina o esbofeteia. Quer fugir, mas ele a subjuga. Ela trinca as palavras: - Você é pior do que ele! Seu nojento! Novamente, ele a solta e novamente ela o esbofeteia. Ela apanha de braços arriados. E, então, enlouquecida, a garota une o seu corpo ao dele, beija-o na boca: - Eu não quero ver! Me leva contigo! Eu não quero ver! Maria Inês balbucia: - Olha, Glorinha, olha, meu Deus!”
Como nos cinemas, os jogos de sucesso inspiram muitas seqüencias. Só Mario, mascote da Nintendo, estrelou mais de cinco dezenas delas. Nesta lista estão as 8 franquias de maior sucesso na história dos games. Abaixo, a lista de 100 games mais vendidos da história, por console.
1. Mario Com 116 aparições em jogos diferentes, Mario é o símbolo dos videogames desde sua primeira aparição no Arcade em 1982. Seus jogos venderam mais de 200 milhões de cópias. Além dos jogos de plataforma, Mario apareceu em outros gêneros, como corridas de kart, tênis e softwares educativos
2. Pokémon Nos games portáteis da Nintendo, Pokémon vendeu mais de 40 milhões de unidades. Deu origem a 10 longas-metragens e uma série de TV de sucesso
3. The Sims O jogo de PC mais vendido da História simula uma vida normal, dos relacionamentos amorosos à compra de móveis. Ele é jogado por 100 milhões de pessoas pelo mundo
4. Halo A série Halo, da Microsoft, elevou as vendas do console Xbox e de seu sucessor, o Xbox 360. Com mais de 20 milhões de cópias vendidas, Halo tornou-se um ícone da cultura pop
5. GTA O novo game da série GTA, Grand Theft Auto IV, vendeu 6 milhões de cópias em uma semana – um recorde absoluto. Desde o lançamento em 1997, a série vendeu 70 milhões de cópias, apesar das polêmicas em torno de sua violência excessiva
6. Pac-Man Os mais antigos o conhecem como “come-come”. Além de ser o Arcade mais famoso, Pac-Man teve 7 milhões de cópias vendidas para Atari 2600 – isso quando o mercado era infinitamente menor
7. Sonic O porco-espinho azul da Sega vendeu mais de 40 milhões de cópias em seus games e já apareceu em todas as plataformas, inclusive celulares
8. Gran Turismo Tido como o mais impiedoso simulador de corridas nos consoles, a série Gran Turismo, para PlayStation, é o game de corrida mais vendido da História, com 50 milhões de cópias. Em 2008, chega ao PS3
A lista suplementar de jogos mais vendidos por console, cronologicamente. Extra: Os games mais revolucionários e invadores recebem um comentário específico em itálico
Atari 2600 (1977-1983) Pac-Man (7 milhões) Pitfall! (4 milhões) Missile Command (2.5 milhões) Demon Attack (2 milhões) E.T. the Extra-Terrestrial (1.5 milhões) Este game é considerado o responsável pela quebra da indústria dos games em 1983. O jogo era tão ruim que colocava o E.T. de Spielberg num cenário baseado no Parthenon grego. O número de cópias vendidas, ao contrário do que se é levado a pensar, fez mal para a indústria: as pessoas, que compraram o game pensando no filme, decepcionadas, pararam de investir dinheiro em games. As cópias encalhadas de E.T para Atari acabaram sendo enterradas no deserto
Colecovision (1982-1984) Donkey Kong (6 milhões) Uma das primeiras versões caseiras do lendário game de arcade da Nintendo que marca a primeira aparição de Super Mario
Xbox (2001-2005) Halo 2 (8 milhões) Halo: Combat Evolved (5 milhões) O game que criou a imagem do Xbox e colocou a Microsoft, produtora do game, ao nível de competidora no mercado Tom Clancy's Splinter Cell (3 milhões) Fable (3 milhões) Project Gotham Racing (2.5 milhões) Grand Theft Auto Double Pack (1.59 milhão) Star Wars: Knights of the Old Republic (1.48 milhão)
Xbox 360 (2005-) Halo 3 (8.1 milhões) Gears of War (4.5 milhões) Uma das maiores surpresas de 2006, este game exclusivo para Xbox 360 terá continuação este ano. Call of Duty 4: Modern Warfare (3.172 milhões) Grand Theft Auto IV (2.3 milhões) Forza Motorsport 2 (2.261 milhões)
NES (1984-1990) Super Mario Bros. (40.23 milhões) Super Mario Bros. 3 (18 milhões) “Mario 3” para os íntimos. Este game foi lançado no auge da febre do primeiro console Nintendo. Teve até um filme de Holywood feito para promovê-lo: O Gênio do Videogame, com a então atriz mirim Jenifer Lewis, que hoje é a vocalista da banda Rilo Kiley Super Mario Bros. 2 (10 milhões) The Legend of Zelda (6.51 milhões) Zelda II: The Adventure of Link (4.38 milhões) Teenage Mutant Ninja Turtles (4 milhões) Dragon Warrior III (3.8 milhões) Dragon Warrior IV (3.1 milhões) Golf (2.46 milhões)
SNES (1990-1996) Super Mario World (20 milhões) Donkey Kong Country (8 milhões) A volta triunfal de Donkey Kong, mais de 10 anos depois de sua estréia nos fliperamas. Com ajuda de uma fabulosa tecnologia 3D chamada ACM, desenvolvida pela Silicon Graphics, este game representou os melhores gráficos da era do Super Nintendo Super Mario Kart (8 milhões) Street Fighter II (6.3 milhões) The Legend of Zelda: A Link to the Past (4.61 milhões) Donkey Kong Country 2: Diddy's Kong Quest (4.37 milhões) Street Fighter II Turbo (4.1 milhões) Super Mario World 2: Yoshi's Island (4 milhões) Dragon Quest VI (3.2 milhões in Japan) Donkey Kong Country 3: Dixie Kong's Double Trouble! (2.89 milhões) Dragon Quest V (2.8 milhões) Final Fantasy VI (2.55 milhões) Final Fantasy V (2.45 milhões)
Nintendo 64 (1996-2001) Super Mario 64 (11 milhões)[43] Mario Kart 64 (8.47 milhões approximately) GoldenEye 007 (8 milhões) Finalizado muito depois do filme, GoldenEye melhorou quase tudo o que era possível no gênero de tiro em primeira pessoa. O destaque era o multiplayer para quatro jogadores, revolucionário para uma época anterior às Lan houses The Legend of Zelda: Ocarina of Time (7.6 milhões) Super Smash Bros. (4.9 milhões) Diddy Kong Racing (4.434 milhões) Pokémon Stadium (3.871 milhões) Donkey Kong 64 (3.77 milhões) The Legend of Zelda: Majora's Mask (3.36 milhões) Star Fox 64 (3.325 milhões) Pokémon Snap (2.718 milhões) Perfect Dark (2.5 milhões)
Gamecube (2001-2006) Super Smash Bros. Melee (7.09 milhões) A série de luta das mascotes Nintendo começou no Nintendo 64 como um game de luta sem personagens conhecidos. Super Mario Sunshine (5.5 milhões) Mario Kart: Double Dash!! (4.676 milhões) The Legend of Zelda: The Wind Waker (3.07 milhões) Luigi's Mansion (2.539 milhões) Animal Crossing (2.321 milhões) Mario Party 4 (2.003 milhões approximately) Metroid Prime (2 milhões)
Wii (2006-) Wii Sports (21.56 milhões) O revolucionário game de esportes que trouxe a gesticulação para a experiência virtual. Com o controle do Wii, é possível emular um bastão num game de beisebol, como luvas de boxe no ringue, taco de golfe e o que mais os criadores de games imaginarem Wii Play (11.51 milhões) Super Mario Galaxy (6.1 milhões) Mario Party 8 (4.86 milhões) Super Smash Bros. Brawl (4.85 milhões) The Legend of Zelda: Twilight Princess (4.52 milhões) Mario & Sonic at the Olympic Games (3.4 milhões) Mario Kart Wii (2.389 milhões) Super Paper Mario (2.28 milhões) Big Brain Academy: Wii Degree (2.26 milhões) Wii Fit (2.074 milhões) Guitar Hero III: Legends of Rock (2 milhões)
Gameboy (1989-2001) Tetris (33 milhões) Pokémon Red, Blue, and Green (20.08 milhões) Pokémon Gold and Silver (14.51 milhões approximately) Pokémon Gold (7.15 milhões) Pokémon Silver (7.36 milhões) Super Mario Land (14 milhões) Pokémon Yellow: Special Pikachu Edition (8.26 milhões) A febre Pokémon era tão grande que um game idêntico aos anteriores vendeu tudo isso só porque tinha um personagem extra: o ratinho elétrico Pikachu The Legend of Zelda: Link's Awakening (6.05 milhões) The Legend of Zelda: Oracle of Ages (3.96 milhões) The Legend of Zelda: Oracle of Seasons (3.96 milhões)
Gameboy Advance (2001-2005) Pokémon Ruby and Sapphire (13 milhões) Considerado o melhor game da franquia, Pokémon Ruby and Sapphire inovou ao trazer mais elementos de RPG para a mecânica de jogo Pokémon FireRed and LeafGreen (11.82 milhões) Pokémon Emerald (6.32 milhões) Super Mario World: Super Mario Advance 2 (4.079 milhões) Super Mario Advance (3.738 milhões) Super Mario Advance 4: Super Mario Bros. 3 (3.598 milhões) Mario Kart Super Circuit (3.468 milhões)
Nintendo DS (2005) Nintendogs (18.67 milhões) Quando Shigeru Miyamoto, criador de Mario, comprou um cãozinho, teve a idéia de um game de adestração de filhotes. O portátil da Nintendo até recebe comandos de voz para os cachorros, como “senta” e “rola” Pokémon Diamond and Pearl (14.77 milhões) New Super Mario Bros. (14.16 milhões) Brain Age: Train Your Brain in Minutes a Day! (12.98 milhões) Brain Age 2: More Training in Minutes a Day! (10.83 milhões) Mario Kart DS (10.45 milhões) Animal Crossing: Wild World (9.53 milhões) Super Mario 64 DS (6.12 milhões) Big Brain Academy (5.01 milhões)
Mega Drive (1988-1995) Sonic the Hedgehog 2 (6 milhões) Sonic the Hedgehog (4 milhões) O conceito da criação de Sonic foi o de um animal veloz que mostrasse o poderio do então recém-lançado Mega Drive, duas vezes mais potente que o NES Aladdin (4 milhões) NBA Jam (1.93 milhão in US)
Dreamcast (1999-2001) Sonic Adventure (2.5 milhões) Soulcalibur (1.3 milhão) Considerado o melhor game de luta de todos os tempos, Soulcalibur foi relançado na rede Xbox Live Crazy Taxi (1.225 milhão) Shenmue (1.2 milhão)
PlayStation (1995-2000) Gran Turismo (10.85 milhões) Final Fantasy VII (9.8 milhões) Gran Turismo 2 (9.37 milhões) Tomb Raider II (8 milhões) Metal Gear Solid (7 milhões) O primeiro flerte entre narrativa cinematográfica e o universo dos games a dar certo. Com centenas de horas de diálogos interpretados por atores famosos e trama de espionagem, este game acaba de chegar aos PlayStation 3 em sua quarta versão Tomb Raider (7 milhões) Crash Bandicoot (6.8 milhões) Final Fantasy VIII (6 milhões)
PlayStation 2 (2000) Grand Theft Auto: Vice City (17.5 milhões) Gran Turismo 3: A-Spec (14.89 milhões) Grand Theft Auto III (14.5 milhões) O primeiro game da polêmica e excelente série Grand Theft Auto a ter um ambiente tridimensional. Pela primeira vez, o jogador podia escolher o que fazer na ordem que quisesse, quebrando a o ritmo linear dos games Grand Theft Auto: San Andreas (12 milhões) Gran Turismo 4 (10.06 milhões) Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty (7 milhões) Final Fantasy X (6.6 milhões) Final Fantasy XII (5.2 milhões) Kingdom Hearts (4.68 milhões)
PlayStation 3 (2006-) MotorStorm (3 milhões) Realismo numa corrida de carros, motos e caminhões, mas sem grande brilho. O PlayStation 3 ainda espera o seu grande hit Resistance: Fall of Man (2.5 milhões)
PSP (2005-) Grand Theft Auto: Vice City Stories (4.5 milhões) Monster Hunter Freedom 2 (2.15 milhões) Um game RPG que mistura Pokémon e o clima de filmes sombrios de terror. É um sucesso absurdo atualmente no Japão, onde é o game mais vendido há meses Monster Hunter Portable 2nd G (2.045 milhões) Daxter (2 milhões)
Após resistir durante muito tempo antes de vender os direitos do livro Ensaio sobre a Cegueira para o cinema, o escritor português José Saramago cedeu aos encantos do diretor brasileiro Fernando Meirelles. E gostou do resultado. Reagiu emocionado à projeção do filme, que tem Julianne Moore (foto) no elenco, no dia 17, em Lisboa. Meirelles, por sua vez, não escondeu sua empolgação quando viu o prêmio Nobel de literatura derramar lágrimas diante dos créditos do seu longa-metragem. A cena foi flagrada pelo filho do cineasta, Quico Meirelles. Assista ao vídeo. (Gisela Anauate)
Editor de Cultura e Quem Acontece. Mestre em Musicologia, doutor em Artes Cênicas pela USP, autor dos livros Ensaio de Ponto, Minoridade Crítica e Mário Reis, o Fino do Samba.
Martha Mendonça
é jornalista e escritora do Rio de Janeiro.
Nelito Fernandes
é jornalista, tem a mente aberta mas é heterossexual.
Gisela Anauate
é repórter de Mente Aberta, autora do livro Dissonantes (sem editora, se alguém quiser, por favor, contate), sobre cinco músicos nada convencionais.